7 Junho 2010

Confissões dum artista Drogado

Querida mãe, sei que odeias que te trate desta maneira mas escrevo-te agora para te dizer tudo o que nunca te consegui dizer, porque não me deixaste ou não quiseste saber e sempre que tentava começavas a discutir comigo.
Desde já quero que saibas que não me estou a fazer de vitima que sei que não o sou, simplesmente quero te mostrar os pontos em que tu tiveste errada e nem quiseste notar, a tua vida nunca foi fácil, eu sei bem disso, tiveste uma vida amorosa horrível e uma vida familiar ainda pior, vendo isso num tom humorista se calhar é por isso que eu não consigo amar ninguém, tiveste poucos amigos e os amigos que tiveste deixaram-te eventualmente ou trocaram-te pelos teus irmão, tiveste tudo e perdeste num ápice, vieste para Portugal com um bebé ao colo uma miúda e mais uma relação falhada… Ler todo texto »

Publicado por xbugs e colocado em Conto, Crónica | 0 Comentários

15 Abril 2010

O grito vermelho

Prolonga-se o grito até nunca, que é ali na parede que dá para o mundo, ou até á grade da varanda sobre os viadutos. Um grito vermelho que é sacudido pelo vento, que atravessa o Inverno até depois. Há outros que também são vermelhos, porque todos os gritos são vermelhos, não seriam gritos se não fossem vermelhos e se não voassem ao vento. Mas alguns não vão tão longe, chegam aqui ás grades da cama e enrolam-se nelas. Destroem-se depois aos bocadinhos como um papel picado, mas um papel escrito e sujo, encardido, que andou por baixo da roupa húmida que se traz da rua quando chove muito. Alguns levam a frente o fumo de cigarros. Outros o cheiro de perfume que fica por baixo das unhas. A vida é isto: olho-me de dentro e há o grito.

Publicado por Lady W e colocado em Prosa Poética | 0 Comentários

27 Março 2010

Poema do mundo que virá

Sinto que lancinam a Terra
Sinto que universalizam o raio de acção das Guerras
Sinto o rugir dantesco e daninho da Ígnea Estrela-Fera!

Sinto a acústica do Mar medrando
Sinto o Mar tomando de assalto os reinos humanos
Sinto o Mar virando Omnipotente e Voraz Oceano!

Sinto o Deserto desertificando sonhos
Sinto o Deserto abocanhando verdejantes e fecundos campos pelo mundo
Sinto o Deserto emulsionando o inabalável ânimo!

Sinto a Vida se esvaindo
Sinto o Sangue secando
Sinto o Planeta em que vivo outro Cosmo se tornando!

Publicado por jessebarbosa2727 e colocado em Poesia | 0 Comentários

8 Março 2010

Poeta

Minha poesia nasce como o sol se pondo
E em mil cores oscilantes ilumina a vida constante
Minha poesia nasce como o sorriso das crianças
Que faz em ti outro sorriso manso
Como na época da sua infância ….

Da livre brisa da manhã e o frio cair da noite
Minha poesia nasce sã e açoite…

E por que então não haveria de nascer também
Desse redemoinho de vento
Desse gosto amargo do beijo
Das idéias mórbidas da mente
De um jeito quase inconseqüente…

Poesia que no calor da lareira me esquenta ainda mais
E que faz a lua brilhar de um modo apaixonado
Poesia que me enlouquece,
Que não fica presa e nem se esquece
Poesia que encanta os cegos
Que tira o olhar sarcástico dos egos…

Tristes versos que se alojam em minha mente,
Não me deixem completamente!
Nem após a minha morte….

Publicado por Felipe Calvoso e colocado em Poesia | 2 Comentários

7 Março 2010

O mundo

A vida é feita de pessoas e algo além,
Alguma coisa mais dura que cimento
Que sufoca todo meu desdém
Por esse mundinho de lamento
Esse planeta só de gente
Que respira como gente
E cresce como tal
E sente como tal
E chora todo pranto
Toda angústia e aborrecimento
O ódio desajeitado da gente
A praga.

Publicado por Felipe Calvoso e colocado em Poesia | 0 Comentários

26 Fevereiro 2010

Estrela

Estrela de luz e cor
Estrela de esperança e de reencontro
Estrela de afecto e amor.

Estrela de calor e abraço
Estrela de brilho e arrepio
Estrela de noite serena e mar revolto.

Estrela de meiguice e olhos rasos de lágrimas
Estrela de partida e de adeus.

Publicado por aifos e colocado em Poesia | 0 Comentários

26 Fevereiro 2010

OCEANOS VERMELHOS

A confluência que cimenta
O antebraço ao braço sangra:
Como sangra também
A gigantesca cordilheira das lembranças.

A confluência que cimenta
O antebraço ao braço sangra:
Sangrando além o amor, os sonhos
E a pujança da relutância.

A confluência que cimenta
O antebraço ao braço sangra:
Jorrando o vermelho da vida
Qual escapa das alamedas da flor desvanecida e da infância.

A confluência que cimenta
O antebraço ao braço sangra:
Só não morre nem sangra
O Sistema Solar que alimenta
A Via Láctea da Esperança!

Publicado por jessebarbosa2727 e colocado em Poesia | 0 Comentários

11 Fevereiro 2010

Ventanias da Mente

                             
Preciso adelgaçar cometas.
Preciso nivelar-me ao celeste azul.
Preciso ler Manuel Bandeira.
Preciso ouvir As Rosas Não Falam, Free Jazz e Blues!
Preciso garimpar as incertezas da certeza.
Preciso tomar um porre de Rum.
Preciso pôr as cartas sobre a mesa.
Preciso flertar com O Bando de Teatro Olodum!
Preciso sentir a textura da tez da minha Preta.
Preciso prementemente ir á rua desnudo do habitual calandu.
Preciso assistir — de novo — á película O Baixio das Bestas.
Preciso pagar — com os juros da cara — a conta de luz!
Preciso dormir por 8 horas.
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Publicado por jessebarbosa2727 e colocado em Poesia | 0 Comentários

6 Fevereiro 2010

Linha ténue

Esta linha ténue em que o Céu e o majestoso Mar se tocam.
Esta linha de contornos fáceis de imaginar e tão difíceis de colocar no papel.
Esta é a linha a que apelidam de Horizonte.

Não é a linha perfeita de um ombro forte e robusto,
Não é a linha que desenha os lábios quentes entre o licor que tomas e cujo gelo tilinta no copo,
Não é a linha que une as palavras que escreveste em documento word e eliminaste com medo do que pensaria.
Não é.
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Publicado por aifos e colocado em Poesia | 2 Comentários

15 Janeiro 2010

Falta”-me”

Falta-me aqui o mar, naquele murmúrio miraculoso e intenso, naquele grito de amor e dor de tantas preces, de tantas promessas a cumprir, de tantos fortes desejos. Faltam-me mais uns dias para te poder ver de novo. Imensidão e paz em que mergulham mortais, farrapos de pó divinos.
Falta-me a vertigem da troca de olhares.
Falta-me o polegar na palma da minha mão, em deslize perfeito, em elíptica que entontece e arrepia.
Falta-me o coração aos pulos entre o instante em que te espero e o momento em que te avisto a chegar. Fica tudo bem, depois. Faltas só tu, que teimas em não chegar.
Falta-me o sorriso rasgado pelas emoções de pele e de alma que se atrasam no relógio de pêndulo que teima em oscilar pouco e em velocidade irregular.

Falta-me só beber uma meia de leite, quentinha, para começar o dia, de novo, com esperança.
Falta-me só um último beijo em forma de poema, se um dia o merecer.

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 2 Comentários