5 Abril 2007

Funeral Devido

Publicado por Flower em Crónica |

Hoje sonhei com ele. Curioso. Há muitos anos que nem sequer me recordava das suas feições. E, talvez por isso, decidiu visitar-me esta noite. Trazia uma expressão serena, de quem se tinha esquecido das mágoas provocadas por mim. E, como em todos os sonhos onde nem tudo faz o sentido que devia, recordo de pequenos pormenores que só um sonho podia ressuscitar. E quanto tempo demorei a rasurá-los da minha memória… sonho maldito! Os dedos afunilados nas extremidades e a maçã do rosto agravada pela magreza. Um sorriso desarmante. Carinho meu, carinho desconcertante.

De qualquer modo invadiu o meu leito, esta noite, para me recordar que o passado é só outra forma do presente. Porque não o enterrei, não lhe fiz luto. Não vesti preto e não derramei lágrimas por si. E precisava tê-las derramado. Porque assim não consigo aceitar que ele já não exista para mim.

Descansa em paz, aconchego meu.

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Publicado há 1 ano, 8 mêss em Quinta-feira, Abril 5, 2007 às 8:08 e está arquivada na secção Crónica. Poderá seguir as respostas a esta entrada através da alimentação RSS 2.0.
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Actualmente existem 3 comentários ao “Funeral Devido”

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  1. 1 A Abril 5, 2007, aifos escreveu:

    Está forte, presente, sentido. Gostei muito.

    Tive de voltar a reler, e vou ler do novo, porque as palavras que nos tocam são assim…!

  2. 2 A Abril 5, 2007, Marinheiro escreveu:

    Bonito e triste.
    Ou triste e bonito.
    Como a vida tantas vezes.
    Felizmente como a vida, tantas vezes também escreves bonito e alegre.
    Ou se alegre e bonito.

    O presente é um local distante, tanto como o passado é tantas vezes um local futuro.

  3. 3 A Agosto 28, 2007, Margarete escreveu:

    Está muito bem… no teu jeito sereno e ao mesmo tempo tempestuoso de escrever. Serenamente mexes com todo o meu ser e com toda a minha alma. Como uma tempestade na minha areia…

    Gostei *

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