Tempo de Paixão
Publicado por Marinheiro em Poesia |Faz um tempo estranho.
Um tempo de caretas.
De espasmos e de espantos.
De relâmpagos
De trovões
Faz um tempo de dilúvio.
Faz um tempo de bonança.
De imagens e sons.
De pesadelos e pasmares.
De suores e de lágrimas.
Faz um tempo que não te vejo.
Horas, minutos, séculos.
Faz um tempo sem Amor.
Dias, anos, séculos.
Faz um tempo de funda dor.
Mais de vinte anos.
E “veinte años no es nada”.
Faz um tempo, quente, quente.
Ameno inferno de sorrisos perdidos.
Ameno inferno de sorrisos escondidos.
Treme a terra com o pulsar do coração.
Rosto sardento e alvo.
Um deleite, um desejo, um recado.
Um tempo de palavras, juras e promessas.
Um tempo delicado, mãos, rosto, orelhas, pescoço.
Um tempo de prazer, de entrega, de contentamento.
Faz tempo, brilho no céu.
Outro Sol, outro Éden revelado, outro tecto espelhado.
Faz tempo, sauna, banho quente, corpo dormente.
Faz tempo lânguido, estreito, esguio, escondido.
Tanto tempo sem te ver.
Horas, horas, mil anos.

