Tranquila intranquilidade
Publicado por Marinheiro em Prosa Poética |Hoje calo a paixão que me foge pelos dedos e me transborda do peito e do olhar.
Hoje calo esse amor frenético de desgarrada luxúria que me transcende em beijos e línguas de fogo.
Hoje calo essa vida destravada, sonhada, irreal e tresloucada, de Primaveras sem fim.
E paro de falar de mim.
Falo de nós. Para onde vamos? O que somos?
Tantas questões encerramos sempre em nós. Certezas e receios. Contradições.
Notícias de crimes, actos vis, assassinatos, corrupção, vulgarizam-se nas notícias, nos lábios, nos ouvidos.
Notícias de flagelos, falta de esperança, falta de fé ou compaixão, falta de luz e compreensão, comuns nas notícias, todos os dias.
Cheios, cheios, lábios, cabeça, ouvidos.
E crescemos incompreendidos, incompreendendo. E crescemos ervas daninhas e outros parasitas. Mentiras, hipocrisias.
Há quem esqueça tão rápido a verdade e a pureza de viver na verdade. Tranquilo.
Deitar e dormir descansado. Deitar e acordar descansado. Valorizar a paz, a nossa paz. Viver em paz, mesmo que não, ainda, na derradeira e absoluta paz. Vivendo um pouco mais cada dia e não o inverso.
Toldados por céus cinza, fragrâncias de enxofre e terra queimada. Temos de sorrir e ser tranquilos.
Que morra a vida, mas não o espírito! Que morram a palavras, mas não o nobre sentimento!
E acabei por falar em mim…

