22 Abril 2007

Tempo emprestado

Publicado por Marinheiro em Poesia |

Já morri e já renasci.
Não uma mas duas vezes.

Uma vez engoliu-me o mar.
E no dorso de uma sereia ressurgi na praia.

Outra vez sangrou-me o peito, ensurdecedora dor.
E ressuscitei-me numa e noutra garrafa de whisky.

Já morri não uma, mas duas vezes.
Todo o meu tempo, agora, é emprestado.
Por isso, tão mais amado.
Por isso, tão mais apaixonado.

Já me fizeram o funeral, não uma, sim duas vezes.
Calor abrasador.
Fato justo e pesado.
Dispenso.

Carpir, sim um pouco, demasiado.
Sangrar, sim um pouco, demasiado.
Enlouquecer, sim um pouco, demasiado.

Já morri e já renasci.
Não uma mas duas vezes.

E por vezes é bom recordar, como hoje, que meu tempo é agora, emprestado.

1 estrela2 estrelas3 estrelas4 estrelas (Sem votos)
Loading ... Loading ...

Publicado há 1 ano, 7 mêss em Domingo, Abril 22, 2007 às 22:45 e está arquivada na secção Poesia. Poderá seguir as respostas a esta entrada através da alimentação RSS 2.0.
Este texto está licenciado segundo a Licença Creative Commons.
Poderá deixar uma resposta ou trackback a partir do seu Web site.

Actualmente existe um comentário ao “Tempo emprestado”

Porque não nos deixa o seu comentário? A sua opinião é muito importante para nós!

  1. 1 A Abril 24, 2007, aifos escreveu:

    A sensação de tempo emprestado não é das melhores, mas gostei do timbre da tua poesia!

Deixe um comentário

necessita estar registado para deixar um comentário.