Tempo emprestado
Publicado por Marinheiro em Poesia |Já morri e já renasci.
Não uma mas duas vezes.
Uma vez engoliu-me o mar.
E no dorso de uma sereia ressurgi na praia.
Outra vez sangrou-me o peito, ensurdecedora dor.
E ressuscitei-me numa e noutra garrafa de whisky.
Já morri não uma, mas duas vezes.
Todo o meu tempo, agora, é emprestado.
Por isso, tão mais amado.
Por isso, tão mais apaixonado.
Já me fizeram o funeral, não uma, sim duas vezes.
Calor abrasador.
Fato justo e pesado.
Dispenso.
Carpir, sim um pouco, demasiado.
Sangrar, sim um pouco, demasiado.
Enlouquecer, sim um pouco, demasiado.
Já morri e já renasci.
Não uma mas duas vezes.
E por vezes é bom recordar, como hoje, que meu tempo é agora, emprestado.

