6 Maio 2007

Saudades

Publicado por Flower em Prosa Poética |

Saudades. Esperar-te num hiato de tempo que não se concretiza, que não te desvenda e que não te conhece. Imaginar-te numa nuvem de estrelas e de pó e crer que um dia serás matéria, corpo no meu corpo, pele na minha pele. Não me dar a nada menos do que tu, querer-te com tanta força que tenhas de nascer para satisfazer a voz dos deuses. Reconhecer-te na minha boca o sabor a frutas e algodão doce. Desesperar no horizonte do mar e do tempo em que não surges quando uma nesga de vento te tinha prometido. Saudades da febre que não senti. Da vertigem de tu e eu não sermos coisas diferentes. Querer ser o sal que transpira a tua pele, para deslizar infinitamente nos teus limites. Vertigem de morte de cair em ti continuamente. Saudades, temperatura que a vontade não mata. Sede que não se aquieta. Um peito que não se toca. Porque não existem outras mãos.

Vem.

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Actualmente existem 2 comentários ao “Saudades”

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  1. 1 A Maio 6, 2007, aifos escreveu:

    Cheio de sentimento e de imagens!

    Como um dia escrevi:
    «uma perfeição na saudade que brota do peito
    e que, por não saber exprimir de outra forma,
    escrevo em poesia»

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  2. 2 A Janeiro 28, 2010, senhorio escreveu:

    Saudades…

    João Paulo, o senhorio do saudoso escrevo.net

    Beijos

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