Saudades
Publicado por Flower em Prosa Poética |Saudades. Esperar-te num hiato de tempo que não se concretiza, que não te desvenda e que não te conhece. Imaginar-te numa nuvem de estrelas e de pó e crer que um dia serás matéria, corpo no meu corpo, pele na minha pele. Não me dar a nada menos do que tu, querer-te com tanta força que tenhas de nascer para satisfazer a voz dos deuses. Reconhecer-te na minha boca o sabor a frutas e algodão doce. Desesperar no horizonte do mar e do tempo em que não surges quando uma nesga de vento te tinha prometido. Saudades da febre que não senti. Da vertigem de tu e eu não sermos coisas diferentes. Querer ser o sal que transpira a tua pele, para deslizar infinitamente nos teus limites. Vertigem de morte de cair em ti continuamente. Saudades, temperatura que a vontade não mata. Sede que não se aquieta. Um peito que não se toca. Porque não existem outras mãos.
Vem.
