30 Julho 2007

Se(r)ntir

Alguém me diz que não sou o que penso, mas sim o que sinto.
Mas há já muito tempo que eu não sinto.
Eu não sinto nada!!!

Não sinto Amor…
Não sinto Ódio…
Não sinto Esperança…
Não sinto Desespero…
Não sinto Medo…
Não sinto Coragem…
Não sinto Alegria…
Não sinto Tristeza…
Não sinto a Vida…
Não sinto a Morte…

Afinal quem sou Eu?

Será que Amo?
Será que Odeio?
Será que Espero?
Será que Desespero?
Será que tenho Medo?
Será que tenho Coragem?
Será que sou Alegre?
Será que sou Triste?
Será que estou Vivo?
Será que estou Morto?

Afinal sinto…
Sinto-me a Mim.

Publicado por Humberto Morais e colocado em Poesia | 0 Comentários

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27 Julho 2007

Numa parede da cidade…

Nas paredes deixaste um recado tolo,
como se “Amo-te” fosse uma palavra feia, vulgar,
como se apenas fosse um graffiti urbano.

Faltou-te a coragem para a olhares de frente
e olhos nos olhos clamares o que sentes,
faltou-te a simplicidade de um gesto bonito, humano e simples,
e preferiste o floreado, o excêntrico.

Nas paredes podes ter escrito
mas não lho disseste,
preferiste pensar que isso era o feito heróico,
a pura e derradeira conquista.

E o sentimento morreu aí mesmo
nessa parede da cidade,
porque há coisas que se sentem,
e essa palavra ela não sentiu.

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 2 Comentários

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21 Julho 2007

Visão

Estou longe… estou ausente,
Onde me encontro tudo desabou.
A escuridão venceu e a Luz apagou
A vela que ilumina o presente.

Sinto o frio na Alma descendente
A gelar o sangue que coagulou.
Num desespero o tempo parou
E pede auxilio… um auxilio premente.

Tudo está em extrema ruína,
Em acelerado estado de decomposição,
Um doce cheiro nauseabundo.

Vejo… sim, vejo uma ponte fina.
Fecho os olhos e aperto a mão,
Abro os braços e abandono este mundo.

Publicado por Humberto Morais e colocado em Poesia Gótica | 1 Comentário

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18 Julho 2007

«Retrato»

Comprei uma moldura nova
para nela teu retrato colocar.

Ficou guardada, num canto,
não perdida nem esquecida
mas encostada num canto.
Ficou guardada na espera,
no coração, no sorriso,
na lágrima e até no tempo.

Procuro hoje a moldura.

Não procuro o teu retrato
porque esse nunca ficou perdido em parte incerta.

Procuro a moldura.

Olho de novo (mais uma de tantas e tantas vezes)
o teu retrato,
o teu rosto sereno,
tuas mãos de veludo,
a beleza do sonho real.

Hoje coloco aqui o teu retrato
e tudo fica diferente,
tal como uma poesia que se escreve
na mente e se sussurra de lábios molhados…

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 2 Comentários

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16 Julho 2007

Tenho sempre

Tenho sempre tanto para te dizer.
E… Sobra-me sempre tão pouco tempo.
Transpiro.
E no suor não fica meu receio.
Sempre longe demais.
Tenho palavras, algumas rudes e amargas, outras suaves como pétalas do esquecimento.
Mas quedam-se num lugar escondido essas palavras em frases desarticuladas.
Por tal no deve e no haver, devo-te sempre tanto e fico sempre tão aquém de tudo o que há para te dizer.

Há apenas tempo de contemplação.
Instantes, nos quais me desfaço e despeço em admiração.

Tenho sempre demasiado, que me transvaza pelos olhos, pelos poros, mas nunca pela boca, nunca… Nem tão pouco meus gestos são os que desejo.
Nunca pela boca te falo desse sentimento, nem no papel, nem ao vento, nem nas ondas do Oceano falo desse sentimento.
Que desenho.
Que desejo dizer.
Que devo declarar.
Mas não o afirmo nem me despojo dele.
Apenas o nutro.
Como nutres, talvez, não sei…
Como tu me dá alento e vida.
E transvaza a emoção, mas não o gesto, mas não a frase…
Muda emoção ardente.
Muda emoção doente.
Muda emoção cadente.
Muda, muda.

Estrela de firmamento laranja e fogo.

Publicado por Marinheiro e colocado em Poesia | 2 Comentários

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7 Julho 2007

morte sem luar

duas gotas de sangue
como duas lágrimas
como duas almas
em queda de abismo
que se diluem na terra suja
que se desfazem na terra pútrida
que se desgarram e se perdem da vida
duas gotas de sangue que se apagam
teus dois olhos que se cerraram para sempre
morreste-me numa noite sem alvorada.

Publicado por Marinheiro e colocado em Poesia Gótica | 0 Comentários

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3 Julho 2007

boa vontade

não alimenta
a paz
minha pena

é no caos
que borbulha
o líquido essencial
ferida aberta
açoite
que me faz
letra.

Publicado por wjdemelo e colocado em Poesia | 0 Comentários

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