Tenho sempre
Publicado por Marinheiro em Poesia |Tenho sempre tanto para te dizer.
E… Sobra-me sempre tão pouco tempo.
Transpiro.
E no suor não fica meu receio.
Sempre longe demais.
Tenho palavras, algumas rudes e amargas, outras suaves como pétalas do esquecimento.
Mas quedam-se num lugar escondido essas palavras em frases desarticuladas.
Por tal no deve e no haver, devo-te sempre tanto e fico sempre tão aquém de tudo o que há para te dizer.
Há apenas tempo de contemplação.
Instantes, nos quais me desfaço e despeço em admiração.
Tenho sempre demasiado, que me transvaza pelos olhos, pelos poros, mas nunca pela boca, nunca… Nem tão pouco meus gestos são os que desejo.
Nunca pela boca te falo desse sentimento, nem no papel, nem ao vento, nem nas ondas do Oceano falo desse sentimento.
Que desenho.
Que desejo dizer.
Que devo declarar.
Mas não o afirmo nem me despojo dele.
Apenas o nutro.
Como nutres, talvez, não sei…
Como tu me dá alento e vida.
E transvaza a emoção, mas não o gesto, mas não a frase…
Muda emoção ardente.
Muda emoção doente.
Muda emoção cadente.
Muda, muda.
Estrela de firmamento laranja e fogo.

