20 Agosto 2007

Fugas I

…talvez um dia te revele a nossa história. Talvez… quando me for embora… no dia em que a vida te levar daqui, tal como te trouxe. Sem motivo. Sem nexo. Eu viverei para ti da mesma forma louca e desajeitada…

…deitaria tudo a perder sim! Quebraria todo o encanto de uma vida, todos os laços, todos os abraços. Esqueceria toda a entrega e deixava a desilusão cobrir o olhar de quem ali estivesse… porque esta paixão corta-me a carne como se fosse uma lâmina… porque há muito tempo que sei que existes… porque te desejo como se fosses a última gota de água a que tivesse direito… mas não sabia onde te encontrar…

…fugiste porque fizeste a tua escolha. Ou simplesmente porque não conseguiste escolher. Fugiste para longe porque me desejavas… mas não conseguiste quebrar… era tarde demais. Um dia vais querer-me e vais recordar o meu sorriso apaixonado. Vais perceber que o meu olhar me denunciou naquele dia. Vais lembrar como te procurava e como te disse “estou aqui”. Vais perceber finalmente o significado de cada passo que dei, de cada gesto que fiz, de cada momento em que te procurei…

…fazes-me abrir as gotas de chuva para encontrar uma resposta, afastar os raios de sol para ver se estás por trás, olhar a lua para te ver reflectido nela… fazes-me caminhar sem destino, com passos desordenados, com olhares perdidos… atento no mais pequeno movimento, no mais pequeno som… poderá ser um passo teu…

… procuro por ti na mais pequena luz do dia, na mais pequena escuridão da noite. Procuro as coisas em que tocas para te poder sentir mais perto. Piso o chão por onde passaste para sentir o teu espaço. Se me deixasses entrar, percorria cada canto do teu corpo como se procurasse a saída de um labirinto…

…não sei porque tem de ser assim… porque tem de ser tão duro suportar que não queiras ser feliz assim, junto de mim… poderia simplesmente não sentir nada cada vez que te olho, cada vez que sinto o teu odor. O teu sorriso não é igual ao meu… o teu sorriso não é para mim. Preciso de chorar… chorar muito… para depois me erguer de novo e sorrir a quem passa… para sorrir para ti. À minha maneira. Com o meu jeito perdidamente apaixonado, sedento de um olhar de desejo… de um olhar que, sei, nunca vai existir…

…és o meu amor mais lindo… és tudo aquilo que quero perto de mim, és o sorriso que quero ver, a força que quero ter, o abraço que quero sentir, o corpo que quero amar… és a forma de um amor perfeito, que aparece por detrás do abismo e que impõe o limite da tristeza…

Publicado por dicas e colocado em Fugas | 1 Comentário

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20 Agosto 2007

Épico - Fim Anunciado

Parte I – Vida

Percorro sem sentido,
Sem destino,
Cada segundo da minha vida.
Mas que vida?
Nem eu seu se isto é vida,
Já não sei o que fazer,
Nem sei se estou a viver….ou se estou lentamente a morrer.
Injecto-me com algo que se chama “vitamina”
Que recupera-me por segundos a vitalidade que já tinha desaparecido
E que me faz viver ao máximo segundos,
Minutos,
Distanciando-me por momentos,
Do abismo e de um final tristemente anunciado.
Mas,
Que vida é esta sentida somente à custa de impulsos “vitamínicos”?
Simplesmente, uma vida PERDIDA!

Parte II - Reflexão

Reparo no que agita o meu redor,
E deixo-me ficar.
Não consigo embarcar na agitação e em constantes apelos de mudança.
Limito-me a descansar nos períodos em que o meu corpo não sofre,
Em que não me pede ajuda relaxante
E que me deixa respirar e sentir o meu corpo.
Mas que vida é esta? O que faço aqui?
Porque me perdi no caminho que deveria fazer?
Porque percorri o caminho que me tirou a vontade de viver?
Agora é tarde,
Nunca me conseguirei salvar,
Estou cansado,
Arrepiado de ver a morte chegar.

Parte III – Sofrimento

No que me tornei!
O que hoje sou…
Sou tudo sem ser nada,
Nesta vida que nunca desejei…
Sinto dor a respirar,
Sinto fragilidade no caminhar,
Não tenho um lugar para ficar,
Muito menos,
Vontade e força para conseguir mudar.
Já não sou dono do meu corpo,
A minha alma foi conquistada
Está sob domínio de uma poção malvada.
Estou cansado…
…. Desesperado…
………… Acabado…

Parte IV – O Fim

Resolvi desistir.
Terminar de uma vez com a indecisão de continuar
Com esta vida miserável.
Resolvi dizer adeus aos golpes de dor,
Que o passar das horas constantemente me provocavam.
Resolvi confessar a minha fraqueza,
Perante os desafios que constantemente me foram aparecendo
E os quais não fui capaz de ultrapassar.
Hoje desisto de mim,
Desisto de ser quem sou,
Finalmente poderei dizer que o sofrimento acabou
E que teve um FIM!
Um fim doloroso,
E um fim anunciado…
_____________________________
(Direitos Reservados)

Publicado por Joao Filipe Ferreira e colocado em Poesia | 1 Comentário

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20 Agosto 2007

Está tudo gasto…

E eu gastei as horas e os tempos em volta, gastei os espaços que preenchemos com beijos, gastei tudo e tive tudo em tão grande número que me perdi a contar-te em cada canto por onde ainda caminho.

E gastei-te a ti nas vezes em olhava a tua fotografia, gastei a boca a beijar-te nos espaços ocos e vazios, gastei-te os olhos a olhar-te nos sonhos presentes que me preenchem, gastei-te as mãos nas minhas, aquecendo-as e mantendo-as sempre seguras.

Gastei tudo amor, não sobrou nada e tudo o que eu gastei uma charada que o meu pobre coração não soube decifrar, depois de tudo eis que me encontro agora, olhando o espelho vejo-me a outra face já negra e gasta por medos e desânimos.

Que mundo é este amor? Que tempo me pertence agora? Nem os meus sonhos são o presente que julgava, nem um futuro, nem um dia de amanhã que seja, apenas a permanente loucura de me saber viva sem ti, com o corpo abandonado e sem esperança, com o rosto cravado pelo pecado de te amar tanto mesmo depois de te ter gasto.

E porque te amo deste amor tão grande faço de conta que te tenho ainda, rasgo o silêncio e perco-me em gritos da alma dados pela boca desta face que chora. O choro é o meu ponto de encontro contigo e com a vida, no choro percorro o meu destino mesmo com o corpo nu rasgado de ausências e distâncias.

Cubro os meus medos com os dias felizes que vivemos, com os sorrisos maravilhados e doces, com o rosto coberto de alegria, com tudo o que era e agora é nada, absolutamente nada onde me agarrar, para me ser na totalidade.

E como dói, meu amor, ter-te ainda em mim e não ter forças para me erguer, porque me pesa no lugar do coração todo o amor que deixou de ser, dói tudo o que já não é e não dói nada.

Gastei tudo amor, gastei tudo com as palavras e os silêncios que não te dei, gastei tudo, até o amor que te tenho tanto que faz com que me odeie assim de uma forma tamanha por não ter sido capaz de me manter em ti.

Publicado por Margarete e colocado em Prosa Poética | 1 Comentário

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19 Agosto 2007

Para alguém

Noite triste…
Noite vazia…
Meu pensamento não se cansa de ti !
Sem ti…não existo !
Sou barco sem mar,
Campo sem flor !
Tua imagem está emoldurada
Pelas mais doces lembranças.
Os meus braços precisam dos teus !
Teus abraços precisam dos meus !
Tenho os olhos cansados
De olhar para o além.
Estou tão sozinho !
Silêncio…
Pergunto por ti.
Ninguém responde,
Onde estás ?
Chamo o teu nome !
Vem…
Quero-te…
Desejo-te…
Vou te esperar…
No silêncio !

JORGE BRITES

Publicado por Jorge Brites e colocado em Poesia | 0 Comentários

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17 Agosto 2007

Fugas

…e vamos mesmo amar-nos perdidamente, como se mais nada existisse além de nós, como se o mundo só a nós pertencesse.

…acompanhei cada passo dele, cada gesto, cada movimento.

…sim, tenho a certeza de que vamos amar-nos. Nem que seja uma só vez. Uma só noite. Um só momento em que nos vamos enrolar no corpo um do outro, transpirar de prazer, desejar que o encanto não acabe nunca mais. E bastará para que sejamos cúmplices para sempre. O arrependimento nunca vai arrasar a nossa vida porque vamos desejar-nos para sempre. Acariciar a tua pele, sentir a tua respiração ofegante, olhar nos teus olhos a brilhar de prazer e sentir as tuas mãos no meu corpo será o momento mais belo, mais quente, mais terno…

…estarei aqui para quando me vires. E esperarei por um passeio à noite, ao sabor do vento. Talvez um dia…

…tu és a forma de uma paixão proibida, és a tentação, a incerteza do que quero, o medo da rejeição. Tu és tudo aquilo que não devia aparecer na minha vida. Fazes-me mal. Revolves os meus pensamentos e tomas conta de todo o meu ser interior. Controlas-me sem saberes o que estás a fazer e consegues tornar a minha mente numa tempestade sem fim. E fazes tudo isso sem sequer olhares para mim um único segundo do teu dia…

…os teus lábios hipnotizaram-me a alma. Desejei tocá-los, senti-los de olhos fechados, saboreá-los; desejei passar-te a mão no rosto e sussurrar-te ao ouvido, com voz de anjo:”olha para mim”…

…não conheço o teu cheiro; nem os teus gestos; nem o teu sorriso. Não te conheço como amante; nem como amigo; nem como homem. Conheço-te apenas como alguém que me pertence…

…não devias ter vindo. Nem sorrido. Nem olhado para mim com indiferença.
Rasgaste todos os sonhos que tive. Quebraste todos os sorrisos. Queimaste o meu olhar de desejo. Ainda não percebeste sequer que existo…

…espero sempre pelo teu sorriso, pelo teu olhar. Nem imaginas como desejo que cada rajada de vento leve para longe todos os pensamentos que me cortam a respiração, todas as vontades que me derretem a alma e me fazem esperar por ti…

…empresta-me o teu corpo por uma noite. Deita-te comigo e deixa-me pensar que a noite não vai acabar nunca mais. Deixa-me viver a minha história e sentir o teu cheiro. Desaparecerei ao amanhecer e levarei na minha alma um pedaço teu…

…sinto que me olhas, às vezes. Sinto que me procuras. Só não sei onde te ir buscar…

Publicado por dicas e colocado em Fugas | 3 Comentários

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16 Agosto 2007

Tempo

Por onde correm esses ventos cálidos,
Por onde viajam esses pensamentos perdidos
Sei que os sonhos não se vendem
Sei que os meus tempos se perdem

Vi-te algures
Onde o tempo não toca
Pensei que eras só sonho
E acordei.

E nesta festa que canta alegre
Há uma gesta de amor agreste
Sem fúria mas de paixão viva
Que o vento recolhe
Em viagens de sonho
E tempo que me deste.

Publicado por psicotico e colocado em Prosa Poética | 1 Comentário

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15 Agosto 2007

«Fogo e Noite»

És fogo e noite
labareda de odores e cores,
calor infernal de epiderme e corpo molhado.

És fogo e noite
na beleza de uma gargalhada
e no ritmo descompassado das nuvens que te desenham no céu.

És fogo e noite
contornos de lábios quase perfeitos
húmidos e sedentos
de outros dias, de outras águas.

És fogo, noite e sustento.
Somos noite e fogo sem alento,
arrepio e respiração, suor e maresia…

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 0 Comentários

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3 Agosto 2007

Mulher de preto

Mulher de preto
De luto vestida,
Os teus olhos tristes
Lembram uma despedida.

Sentada a olhar o horizonte,
Perdida nos pensamentos.
As tuas rugas salientes
As marcas dos teus lamentos.

Na tua pele enrugada
A vida está marcada.

Mulher de preto
De olhos molhados.
As tuas lágrimas
São rios salgados.

Cada ruga do teu rosto
É uma recordação.
Escondes o que te vai na alma,
Mas não controlas o coração.

O teu olhar melancólico
Neste quadro bucólico.

Mulher de preto,
De mãos vazias.
Tens tão pouco
E tão pouco pedias.

As tuas mãos fechadas,
A tua alma aberta.
O tempo que por ti passa
E o choro que te aperta.

Olho para ti assim
E vejo o reflexo de mim…

Publicado por Humberto Morais e colocado em Poesia | 2 Comentários

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2 Agosto 2007

Os teus olhos

Os teus olhos que me seguem
Que me acompanham onde estou,
Os teus olhos que me prendem
Ao resto do que sou.

Os teus olhos que me sentem
Na distância desmedida,
Os teus olhos que não mentem
A esperança perdida.

Os teus olhos que eu fiz chorar
Nas noites de solidão,
Os teus olhos que de esperar
Foram tapados pela mão.

Os teus olhos que se cansaram
De por mim tanto sofrer,
Os teus olhos que me amaram
E que eu vim a perder.

Os teus olhos amados
Não são o que eram,
Os teus olhos de cansados
Por mim já não esperam.

Publicado por Humberto Morais e colocado em Poesia | 2 Comentários

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1 Agosto 2007

Saudade

Saudade
Não é uma palavra nunca o foi.

Saudade é pessoa.
Foi avô, foi avó.
Saudade é sangue e é dor.
É tio, é tia, é amanhecer na praia de Sta. Eulália.
Saudade.
É morte, mas também vida.
É fim, mas também inicio.

Saudade nunca foi uma palavra.

Saudade é rosto e é ruga.
Saudade é boca e é lábios.
Saudade é uma noite de estrelas sem luar.

Saudade é uma noite de luar sem estrelas.

É noite e farol.
É serra e é praia.
É música

Não é uma palavra nunca o foi.

E saudade é quase sempre pessoa.
Sorriso.
Lágrima.
Salgado mar, oceano.

E abandono, poucas vezes subtil, quase sempre violento.

É riso de criança traquina.
É riso de criança nervosa.
É riso.

É céu perdido de confuso.

Publicado por Marinheiro e colocado em Poesia | 2 Comentários

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