26 Setembro 2007

Palavras Gastas

Publicado por aifos em Prosa Poética |

Estão gastas as palavras.
Por mais que tentes convencer-te do contrário, repara, repara bem que já não consegues dizer coisas novas. Estás envolvido neste “pouca-terra-pouca-terra” do trem da vida e não vislumbras nem mais um passo, nem mais um espaço, nem mais uma letra.


Estão gastas as palavras, em porquês e comos, em pretéritos imperfeitos, em desenhos circulares com a ajuda de uma mão rija e seca, sem compasso e sem arte. Não conheces o significado de carinho, não sabes a fórmula com resultado exacto que te diz que não magoaste, nem feriste, apenas e só mataste.

Estão gastas as palavras e feitos heróicos não a cativam. Perdeste-a no dia que já foi. Perdeste-a e para sempre. Não procures inventar novas sensações e novos sentimentos. Não há estrelas novas para ela ver contigo, queimaste o céu e o sonho. Não há luz no seu olhar quando estás.

Estão gastas as palavras por isso queda-te.

Estão gastas as palavras. Não há mais “nós”, desconfio mesmo que deixou de haver um «tu». Gastaste a tua presença como gastaste e estragaste as palavras saídas da tua boca. Não há músicas para recordar, não há magia, nem encanto.

Por isso, por tudo mais, e sem mais nada, desiste de querer o que enterraste e pisaste há muito. Desiste de tentar fazer aquilo que não sabes nem podes. Não há, de facto, mais palavras a escrever, nem há, com certeza, mais nada a dizer.

Há um adeus, para sempre.

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Publicado há 1 ano, 2 mêss em Quarta-feira, Setembro 26, 2007 às 18:46 e está arquivada na secção Prosa Poética. Poderá seguir as respostas a esta entrada através da alimentação RSS 2.0.
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