A Teoria Amar(ela)
Publicado por crucius em Conto |Vejo… Vejo uma bola amarela no horizonte, um ponto indefinido como tal, mas brilha. O que será? Estará certo da sua consciência ou consciente da minha certeza de que se ali encontra?
O Universo muda. Está a mudar. Então só me resta pensar de novo, e pensar que não estás aí. Mas estás? Ou estarás? Ou estiveste? Estarei? Sim. Então tu também estás. Quem és tu, então? Estás a aproximar-te, mas quererás conhecer-me? Não, eu afasto-me. Queres que me aproxime?
a bola aproxima-se
és grande! Nunca te imaginei assim. Mas onde estás tu? Agora não posso acabar com este meu sonho, pois a bola amarela é a minha vida. Está suficientemente grande para não parecer longe. Há galáxias, planetas, estrelas, isto, aquilo. E giram. Giram tão rapidamente que dir-se-iam suaves raios de luz flamejante a fumegar por entre mundos e Mundos. A bola respira como nunca e chega a ser ensurdecedora. Já não sei o que pensar, o que dizer, o que sentir (como o sentir…). Cada vez a sinto mais presente, mais próxima, mais viva. Tal como eu. Sinto que já não sou eu, mas outro. Outro que respira, que Ama e que vive.
Quem diria que conseguiria descrever a beleza profunda perfeita de uma bola amarela? Dou por mim e estou a brincar com ela, nos meus braços gira e aquece-me. É a minha bola. E eu, que serei dela? Fico mais pequeno, mais insignificante. Mas respirava comigo. Toca-me. Algo em mim se anima. Será Amor o que sinto? Por aquela pequena bola amarela? Continua o Mundo a girar e nós, cá, estamos certos que tudo é bom.
eis que algo nos assola
somos projectados
contra o infinito e este encolhe-se quase a zero. Vemos um mar preto, com diferentes sombras e relevos. Em cima, algo estranho se nos mostra. Coisa redonda e brilhante. Olho para ela como quem olha para Deus e a minha pequena bola amarela mirra um pouco mais.
Será ciúme? Não certamente! Será? Ou talvez seja apenas o reflexo diferente do Todo-Poderoso. Somos novamente sacudidos e sentimo-nos cair. Atingimos algo com um estrondoso baque. Agora todo o nosso universo era estranho e diferente, novamente.
Cada vez mais nos sentíamos insignificantemente miseráveis, mas sorrisos nos assolaram a memória infinita dos nossos seres, sem saber como seria sorrir. Amávamos, sem saber como o fazer. Entretanto vimos um vulto e desaparecemos. A biologia, eterna, rodopiava à minha volta e eu, só, morria. Foi então que entendi o propósito daquela bolinha amarela. Eu próprio. Aquela bola amarela era o meu coração, o meu Deus, a minha Alma. Era por ela que eu vivia, sonhava, sentia, imaginava, sorria – como chorava – e desejava.
Mas de tudo isso chego à conclusão que nada mais era que uma simples bactéria.
Eu?
Um qualquer simbionte. Uma poeira. “Nada”.


