14 Outubro 2007

A Teoria Amar(ela)

Publicado por crucius em Conto |

Vejo… Vejo uma bola amarela no horizonte, um ponto indefinido como tal, mas brilha. O que será? Estará certo da sua consciência ou consciente da minha certeza de que se ali encontra?
O Universo muda. Está a mudar. Então só me resta pensar de novo, e pensar que não estás aí. Mas estás? Ou estarás? Ou estiveste? Estarei? Sim. Então tu também estás. Quem és tu, então? Estás a aproximar-te, mas quererás conhecer-me? Não, eu afasto-me. Queres que me aproxime?

a bola aproxima-se

és grande! Nunca te imaginei assim. Mas onde estás tu? Agora não posso acabar com este meu sonho, pois a bola amarela é a minha vida. Está suficientemente grande para não parecer longe. Há galáxias, planetas, estrelas, isto, aquilo. E giram. Giram tão rapidamente que dir-se-iam suaves raios de luz flamejante a fumegar por entre mundos e Mundos. A bola respira como nunca e chega a ser ensurdecedora. Já não sei o que pensar, o que dizer, o que sentir (como o sentir…). Cada vez a sinto mais presente, mais próxima, mais viva. Tal como eu. Sinto que já não sou eu, mas outro. Outro que respira, que Ama e que vive.
Quem diria que conseguiria descrever a beleza profunda perfeita de uma bola amarela? Dou por mim e estou a brincar com ela, nos meus braços gira e aquece-me. É a minha bola. E eu, que serei dela? Fico mais pequeno, mais insignificante. Mas respirava comigo. Toca-me. Algo em mim se anima. Será Amor o que sinto? Por aquela pequena bola amarela? Continua o Mundo a girar e nós, cá, estamos certos que tudo é bom.
eis que algo nos assola

somos projectados

contra o infinito e este encolhe-se quase a zero. Vemos um mar preto, com diferentes sombras e relevos. Em cima, algo estranho se nos mostra. Coisa redonda e brilhante. Olho para ela como quem olha para Deus e a minha pequena bola amarela mirra um pouco mais.
Será ciúme? Não certamente! Será? Ou talvez seja apenas o reflexo diferente do Todo-Poderoso. Somos novamente sacudidos e sentimo-nos cair. Atingimos algo com um estrondoso baque. Agora todo o nosso universo era estranho e diferente, novamente.
Cada vez mais nos sentíamos insignificantemente miseráveis, mas sorrisos nos assolaram a memória infinita dos nossos seres, sem saber como seria sorrir. Amávamos, sem saber como o fazer. Entretanto vimos um vulto e desaparecemos. A biologia, eterna, rodopiava à minha volta e eu, só, morria. Foi então que entendi o propósito daquela bolinha amarela. Eu próprio. Aquela bola amarela era o meu coração, o meu Deus, a minha Alma. Era por ela que eu vivia, sonhava, sentia, imaginava, sorria – como chorava – e desejava.
Mas de tudo isso chego à conclusão que nada mais era que uma simples bactéria.
Eu?
Um qualquer simbionte. Uma poeira. “Nada”.

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Publicado há 1 ano, 1 mês em Domingo, Outubro 14, 2007 às 20:55 e está arquivada na secção Conto. Poderá seguir as respostas a esta entrada através da alimentação RSS 2.0.
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Actualmente existem 2 comentários ao “A Teoria Amar(ela)”

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  1. 1 A Outubro 16, 2007, Pena Branca escreveu:

    Aqui está, uma bela brincadeira com as palavras.
    Amar + ela :)

  2. 2 A Junho 15, 2008, Sara escreveu:

    Tudo o que é realmente importante, é minúsculo. Por vezes muitas coisas minúsculas juntam-se e formam algo de realmente grande… como o mar, ou o sol. Mas não deixam de ser coisas minúsculas, mais minúsculas até que os grãos de poeira, que já por si são um conjunto de coisas minúsculas. Logo, poeira não é “nada”. Poeira é muita coisa.

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