18
Novembro
2007
Por te amar
As palavras perdem o sentido
Ganhas vida em mim
Ouço a tua gargalhada
Vejo o brilho dos teus olhos
Brilho que me iluminou nas noites escuras
Sinto o teu aperto forte que me segurou
O teu cheiro… é como se estivesses ainda aqui
Ouvir-te chamar por mim
Estendes a mão para a minha
Seguras.-me com carinho
Não sobra espaço entre nós
Juntos eramos um
Nada nos separava
Por nos termos amado.
Palavras de amor há muitas
Juras ainda mais
Não preciso jurar-te amor eterno
Não preciso prometer-te o para sempre
Não preciso mas quero mais que tudo
Olhar-te nos olhos e dizer-te estas palavras
Quero ter-te aqui comigo
Sentir-te feliz
Por te amar, não to digo
Por te amar, não te tenho
Por te amar estás longe
Por te amar a ti, sei que não voltarei a amar
Por me teres amado a mim, sei que não voltarei a ser amada
E nem estas palavras sem sentido
Nem este afogar lento te trazem de volta para mim.
Publicado por Lobalpha e colocado em Poesia |
16
Novembro
2007
Lembro-me como se fosse hoje. Noite fria de Inverno, na lareira ardia a primeira lenha da noite. Eu em pé, com o rosto colado na vidraça a observar a escuridão do vazio que passava lá fora. Fazia pouco tempo que tinha tomado a decisão mais arriscada da minha vida, ia ser o primeiro Natal sem ti! Ouvia de forma ténue a música que passava na rádio, uma daquelas músicas que nos remetem para as cavernas interiores que transportamos e onde expomos toda a verdade que somos, ali, sem ninguém a observar, ali, somos nós sem qualquer reserva, apenas nós e o nosso reflexo! Sentia um forte aperto no peito, uma sensação difícil de descrever, sentia-me livre e ao mesmo tempo prisioneiro (de uma decisão), irradiava felicidade sentindo-me triste… tudo porque tinha tomado a grande decisão. Recordava-me de ti, sabia que estavas ali tão perto, mas tão longe de mim, já não fazias parte do meu Presente. Sentia a tua Raiva, a tua Incompreensão, a vontade que tinhas de me confrontar com a Verdade… PORQUE, PORQUE???
Hoje visitei a caverna onde enterrei essa recordação, tive a coragem que me faltou toda a vida para escavar essa memória. É pena que tenha passado tanto tempo, agora sou apenas um velho no fim da vida. Mas não quero partir sem te dizer a palavra que há tantos anos me atormenta a Alma… DESCULPA!
Publicado por Humberto Morais e colocado em Prosa Poética |
12
Novembro
2007
Nas feridas que prosperam, nos pés descalços, famintos. Andas. Sustado na própria dor. Alastras. Na culpa peregrina que ignora-te. Cancro que cresce. Que morre. No frio das manhãs retornadas. Que te vê pelas ruas. Abandonado. De fé. Da crença mais próxima da fadiga. Na calçada, refúgio de noites e dias. Na calçada, pedras e lamas de teu corpo.Não sorris aos autóctones passantes. Não lhes mostras a podridão da tua boca. Que neles se confunde. Não olham. Trespassam-te. Na mão que lhes estendes. Trespassam-te em passos galopantes. Cinderelas de pé descalço. Cristalizado. No frio que sempre sentiste. Que ninguém mais sente. E na vontade que te aperta na cintura. Cavarás, na rocha dura. Cavarás com os dedos carcomidos pela fome. Abriga-te. Abriga-te na sombra do espelho. Homem. Incompleto. Homem. Sente a rocha a desfazer-te os nós dos dedos. Das mãos que batem fundo. Quando o fundo é apenas o teu peito. O osso estilhaçado, no olho. Não grites no silêncio da tua voz. Não grites. Atira as goelas aos cães. De rabos enfiados pelas pernas. Atira-as aos cães como tu. Aos cegos, indolores. Na escuridão sempre perdidos. Como tu.
Publicado por Catarina Silva e colocado em Prosa Poética |
11
Novembro
2007
I
Ontem ao querer-te, já era hoje.
E no hoje que se finda, no amanhã te quero.
O desejo, esse, era deter-te, reter-te e perder-te.
Mas nunca esquecer-te.
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Publicado por Catarina Silva e colocado em Poesia Gótica |
10
Novembro
2007
Sabes de cor os números de telefone de pessoas passadas, esquecidas, mas não sabes o do teu amigo.
Sabes de cor os algarismos do teu VISA mas não sabes os algarismos do preço do brinquedo que te pediram.
Sabes de cor as cores do teu guarda fato, mas desconheces as cores da bandeira do teu país natal.
Sabes tudo demasiado de cor e sabes pouco pelo sentimento forte que faz pulsar o coração.
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Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética |
8
Novembro
2007
Hoje dei de caras com Deus,
e disse-lhe que era uma vez
um chinês que fazia tudo outra vez.
Nasceu duas vezes e morreu outras duas.
Era carpinteiro e era-o outra vez.
Se tinha um Amor tinha dois (às vezes três!).
Deus disse-me que não estava a ver bem,
e deu-me uns óculos para ver melhor.
Fiquei triste e fiquei só.
O Mundo, vi-o um só.
Um chinês, um carpinteiro e um só.
Era eu que não o via assim.
E agora estou só, tiraram-me o sonho.
Era um cancro que me foi arrancado.
Só queria ser amado…
Publicado por crucius e colocado em Poesia |
7
Novembro
2007
Se estiveres aí,
deixa-me ouvir a tua voz, o teu
olhar, o teu toque
preciso deles para viver,
sou uma máquina vegetal.
E sinto-me só.
Não sejas apenas o meu peluche,
a boneca de trapos da minha infância,
sê mais, muito mais.
Ou então não sejas, vai-te embora!
Deixa-me aqui ficar…
Fico contigo no meu coração…
Ah, que bem ficaria então!
Publicado por crucius e colocado em Poesia |
6
Novembro
2007
Dizem-me que faça assim e eu assim não faço.
Dizem-me que diga que faço e eu assim não digo.
Dizem-me que julgue o que digo e eu assim não julgo.
Há quem diga que sou assim.
Assim nem sou.
Publicado por crucius e colocado em Prosa Poética |
5
Novembro
2007
Antes dos irmãos e da mãe retornar
Aplicara-se nas diversas ciências aumentando
O seu intelecto. Foi viver com a família
E revelou em Ophelia moça amar,
Que sua afeição seria cartas a venerando
Contudo iria deixá-la pretexto interior abulia.
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Publicado por Catherina Sanders e colocado em Poesia |
4
Novembro
2007
Há uma estrela na minha vida
Que me guia e me contenta
E impede que a minha alma seja perdida
Há uma estrela linda linda
Que numa escadinha da minha alma se senta
E me sussurra uma cantiga que não finda
Há uma estrela pura como a água
Que me lava a alma com ternura
E seca completamente a minha mágoa
Há uma estrela cândida como uma flor
Que me toca o coração com brandura
E essa estrela és tu meu amor
Publicado por antoniodasilva e colocado em Prosa Poética |