2ª parte do Fernando Pessoa
Publicado por Catherina Sanders em Poesia |Antes dos irmãos e da mãe retornar
Aplicara-se nas diversas ciências aumentando
O seu intelecto. Foi viver com a família
E revelou em Ophelia moça amar,
Que sua afeição seria cartas a venerando
Contudo iria deixá-la pretexto interior abulia.
Nove anos após, volta a cortejar a sua amada
Novamente manuscritos a envia, indomada
Confusão aparece e estraga outra vez
A relação e nada vencerá a tibiez.
Com amigos lançava Orféu, que não resultava
De seguida cronista seria em publicações.
Conseguira editar poemas ingleses,
Somente ao pé da despedida anunciava
A única obra portuguesa sem reclamações
Do seu amor pela língua e pelos portugueses.
Com o pesar do fim da mãe, tenta na política
Se embrulhar apoiando registência única
Que depois critica do seu modo,
Sem jeito para tal deixa o estado.
Seu hábito continuará sempre a ser a poesia
E sua bebida, e é com esta última que lhe
Cria uma cólica hepática tirando-lhe tudo.
Alguns dos seus amigos já partiria
E os restantes o iam acompanhar na calhe
Da sua penúltima morada, para ir mosteiro feudo.
Assim em 1935, o famoso poeta desconhecido
Deixa este mundo que o culta depois de vivido.
Somente a escrita é a sua posse para os demais
Seres e absolutamente nada angelicais.
Místico de personalidade, gostava de escrever
Sobre tudo e mostrava um postura de perícia.
Seria eternamente um homem fora da sua época
E incompreensível, que lutara pelo seu querer
De perpetuar seu idioma, e sem vinculatória
De amor, mas efectivamente mestre unívoca.
Catherina Sanders

