16 Novembro 2007

A Decisão

Publicado por Humberto Morais em Prosa Poética |

Lembro-me como se fosse hoje. Noite fria de Inverno, na lareira ardia a primeira lenha da noite. Eu em pé, com o rosto colado na vidraça a observar a escuridão do vazio que passava lá fora. Fazia pouco tempo que tinha tomado a decisão mais arriscada da minha vida, ia ser o primeiro Natal sem ti! Ouvia de forma ténue a música que passava na rádio, uma daquelas músicas que nos remetem para as cavernas interiores que transportamos e onde expomos toda a verdade que somos, ali, sem ninguém a observar, ali, somos nós sem qualquer reserva, apenas nós e o nosso reflexo! Sentia um forte aperto no peito, uma sensação difícil de descrever, sentia-me livre e ao mesmo tempo prisioneiro (de uma decisão), irradiava felicidade sentindo-me triste… tudo porque tinha tomado a grande decisão. Recordava-me de ti, sabia que estavas ali tão perto, mas tão longe de mim, já não fazias parte do meu Presente. Sentia a tua Raiva, a tua Incompreensão, a vontade que tinhas de me confrontar com a Verdade… PORQUE, PORQUE???
Hoje visitei a caverna onde enterrei essa recordação, tive a coragem que me faltou toda a vida para escavar essa memória. É pena que tenha passado tanto tempo, agora sou apenas um velho no fim da vida. Mas não quero partir sem te dizer a palavra que há tantos anos me atormenta a Alma… DESCULPA!

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Publicado há 1 ano em Sexta-feira, Novembro 16, 2007 às 0:35 e está arquivada na secção Prosa Poética. Poderá seguir as respostas a esta entrada através da alimentação RSS 2.0.
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  1. 1 A Dezembro 1, 2007, Pena Branca escreveu:

    Muitas vezes perdemo-nos a pensar se uma “desculpa” podia ter ajudado.
    Acredito que ajuda quase sempre. Devem ser muito poucos os momentos em que isso não acontece…

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