29 Dezembro 2007

Voltei a mim

Publicado por Pena Branca em Poesia, Romance |

quanto quis e amei esse momento
ser um rio a caminhar para o mar

sou eu mesma, nas manhãs apressadas, nas noites frias
sou mais do que o desejo que quiseste, mais do que uma cabeça a rolar
e do que as minhas conhecidas histórias
onde queres uma mulher, onde queres uma amiga, uma louca, sou eu ali
a pedir-te que fiques para me revelar

querer ser essa pessoa: fizeste-me
buscaste ternura, fui heroína
quiseste saltos, fui campeã
conquistaste um coração aberto, escancarei-o
acertaste-me, atingiste-me
fechei-o

não contive, estava triste, perdida, cansada,
o que te encantou nessa conquista? desejo exposto em toque num caracol meu!
confusa, fraca, desgastada
gostei desse teu modo de sedução, e tu negas esse teu eu?

ainda dou por mim a pensar se terá sido isso,
o instante perdido
hei, volto a mim!
sou eu mesma, nos gestos de um pastor

passou o tempo, trouxe tudo comigo
o tambor de batidas dentro de um coração
estou mais eu ainda, não sei como consigo!
sou dona de um dom que tenho e não sei onde fui buscar
mesmo que às vezes me esqueça disso,
adivinho que depois essa certeza vai lá estar
é profundo

é isso que me liberta: a felicidade de instantes perdidos… pareces
presa à vida e dentro de mim
ainda me tornas grande, ainda me adormeces
quero ser sim
quero voar assim
no espaço livre longe dos teus beijos, roubados num acaso
e devias sabê-lo
voltei a mim

custa-me ver-te chegado a esse posto,
pareces dar milho, encenas peças estudadas no meio desses ais
alimentas o circo que um dia pode pegar fogo
a Terra é antiga, o milho é para os pardais!
já o o amor é para quem sabe, acredita e segue a lutar
até quando fugirás de ti?
és filho de pássaro e ave sabe voar

belo é a pedra que rolou e apanhámos
belo os dias anteriores a isso, depois zás!
os factos que agora lembro, essas certezas que sabia tê-las
e deixaste-me acreditar, para depois rolares para trás

se puder não volto jamais
sozinho sabes fazer correr a vida, prender-me
ao meu lado desvias-te e escondes-te
conquistaste para nunca mais quereres ver-me

ainda que tenha acreditado nisso e ainda me perca
ainda seja nós dois
quando o Sol brilha noutras paragens e o dia se desfaz
lembro-me da luz que acendias
depois… foste apagando, sem dares por nada
não admites esse veneno, a mim que acreditei
que mesmo assim estive lá,
mesmo depois
alcanço isso hoje
esse furacão não és tu, mas deixo que acredites se te dá Paz
nunca te esqueças que a vida é um casarão e vivemos todos cá!

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Publicado há 11 mêss, 1 semana em Sábado, Dezembro 29, 2007 às 19:27 e está arquivada na secção Poesia, Romance. Poderá seguir as respostas a esta entrada através da alimentação RSS 2.0.
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