21
Dezembro
2007
Aqui estou eu
Como um sapato sem sola
Uma corda sem viola
Farto de andar a dedilhar
Músicas que não fazem dançar
Não sei se sou um vadio
Por andar a correr pelo rio
Pela razão das estradas serem turvas
O perigo que espreita em todas as curvas
Sou aquele ser humano
O negro, o branco, o indiano
Que não conhece credo ou cor
Atirando-se para a gaveta que guarda o amor
A minha companhia é um guarda chuva
Que não espera por um raio de sol
Está velho como uma passa de uva
Será meu amigo até escutar o rouxinol
Para onde vou eu
Com tão poucas palavras
Um bilhete para a terra do céu
Que neste inferno a mente lavra
Publicado por Dadof e colocado em Poesia |
20
Dezembro
2007
Olhei para o relógio
Não era muito tarde
Com destino incerto
Deparou-se o desconhecido
Que se tornou claro
Como a transparência de um vidro
Eram ruas sem fim
Cada esquina uma surpresa
Avenidas do tempo
Praças de escolha incerta
Encontrava sinais dos anos
Cartazes do passado
Monumentos de uma vida
Jardins pouco plantados
Tropecei na pedra da realidade
Descobri o caminho
Era o presente para quem
Estava perdido e sozinho
Publicado por Dadof e colocado em Poesia |
19
Dezembro
2007
no contraste que é hoje o mundo
dividido pelo homem em pedaços
não é demais lembrar que o Natal é tempo de paz
reservado para viver os nosso laços
contemplem as *estrelas*
no céu de Dezembro escuro
deixem-se preencher pelo fim do ano anunciado
e receber 2008 num abraço seguro
Publicado por Pena Branca e colocado em Fugas |
19
Dezembro
2007
Quebra-se o espelho,
Reflexos que o tempo apagou,
Memórias presentes,
Daquilo que vemos e não somos…
Muda-se a história,
Sopram-se as trombetas,
Metamorfoses constantes…
Choram os heróis,
Entre narrativas de conquistas,
Nas derrotas sofridas, da glória que findou…
Feitos nostálgicos que acendem candelabros,
E que pintam o céu à noite com magia.
Fica o momento… que acompanha o ser,
Acendem-se as fogueiras nos montes…
As vozes dos pastores que regressam dos pastos…
O crepúsculo de papel, que se rasga em pedaços,
Puzzles de cores escuras de perfumes sem odores,
Nos estilhaços de um espelho,
Gotas de sangue que caem, em cortes de dor…
De quem abandonado, sofre por amor,
Sentimentos perdidos,
Escondidos no peito, num cofre em segredo.
Lua que nasce e ilustra o cosmos infinito,
Nua, sublime, transporta a esperança…
De espirais constantes, sem princípio, nem fim…
A aguarela que muda, nos pigmentos que caem…
Flocos que deslizam no céu despido…
Beijam este território adormecido,
Apagam o passado, num abraço que envolve,
Um manto branco que marca a paisagem.
E quando acordares…
Tudo será diferente
Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
19
Dezembro
2007
Até no amor reside a dor.
Sei que sim, afirmo.
Sinto.
Profundo.
O amor.
Profunda.
A dor.
E não é masoquismo.
E não é loucura.
É uma tanto de um e um tanto do outro.
Quase sendo um o reverso do outro.
Mas não.
Nesta sina, nesta morada.
Os dois.
E a alegria do amor e da dor.
Publicado por Marinheiro e colocado em Poesia, Poesia Gótica |
16
Dezembro
2007
A poesia foi feita prós feios!
Em 30 anos ou mais de vida….
Nunca vi o Cyrano ou o Camões
Desfilar numa passerelle!
Mal fosse se assim o fosse!
Não tinha Cyrano que cheirar versos
Com a sua longa protuberância nasal
Ou não visse Camões o mundo com bons olhos!
Mal fosse se assim o fosse!
Se tal como esta capa de couro polido
Fossem as páginas interiores do meu livro
Acreditar que a poesia foi feita prós feios.
Publicado por Dadof e colocado em Poesia |
16
Dezembro
2007
Manuel tem 9 anos, não tem Pai nem Mãe, ou melhor, tem Pai e Mãe, mas pode-se afirmar que não os tem.
Pior do que não ter Pai e Mãe é ter Pai e Mãe mas ser abandonado por eles.
É esse o caso do Manuel!
Manuel não vai à escola nem brinca como as outras crianças da sua idade, tem outras preocupações… aprender a Sobreviver.
Um carro velho abandonado e sem portas é já á alguns meses a casa do Manuel, é lá que ele guarda religiosamente todos os seus tesouros.
O Manuel tem poucos tesouros, os que se lhe conhecem são um porta-chaves de plástico com o emblema de um clube de futebol, uma saca com uma dúzia de berlindes partidos, uma lata vazia de um refrigerante que o Manuel nunca provou, uma revista incompleta de banda desenhada, algumas caricas velhas e o seu maior tesouro, um velho canivete com que corta os pedaços de pão duro que por vezes encontra no lixo.
Teve também um gatinho que o acompanhava diariamente, o mesmo gatinho que foi responsável pelo dia mais triste da curta vida do Manuel, o dia em que um grupo de rapazes decidiu afogar o gato acreditando que ele possuía 7 vidas (talvez já tivesse gasto as suas!!!).
Desde então os dias do Manuel são passados numa grande solidão.
Aproxima-se um dos dias em que o Manuel sente mais a solidão e a falta de um Lar, o Natal!
Hoje Manuel acordou cedo, a dor de barriga provocada pela falta de alimento, juntamente com o frio que fez durante a noite, não o deixaram ficar mais tempo deitado no banco traseiro do seu carro-casa.
Levantou-se, bebeu um copo de água para enganar o seu pequeno estômago e pôs-se a caminhar pelas ruas da cidade cheia de gente, a mesma gente que ignora a vida do Manuel.
A cidade está bonita, Manuel acha graça ás luzes e enfeites de Natal que se vê por toda a cidade.
As crianças da sua idade acompanham os pais na compra das últimas prendas de Natal, há sempre algumas que deixam tudo para a última hora, há sempre mais uma prenda para comprar para alguém que aparece de repente!
Manuel já decidiu qual a prenda que vai dar a si próprio, no dia de Natal vai comer aquele rebuçado que guarda no bolso á quase 15 dias, sempre vai ser uma noite diferente, vai poder comer alguma coisa doce!
Manuel continua a caminhada que o leva até ao local onde fez um funeral digno ao seu gatinho, ainda lhe custa recordar esse dia, em que pegou no gatinho a escorrer água e o secou com todo o cuidado á sua velha camisola para o enterrar mais quentinho, tinha sido o seu único verdadeiro amigo, aquele que o acompanhava para todo o lado e que nunca o tinha descriminado… que saudades sentia o Manuel!
Chegado agora ao local onde se encontra o seu amigo, Manuel corta uma pequena flor e coloca-a sobre um pequeno monte de terra saliente, é a prenda de Natal para o seu amigo.
Regressa agora pelas mesmas ruas, caminha apenas por caminhar, não tem pressa para chegar a lugar nenhum, ninguém o espera, por isso não vai chegar atrasado.
Depois de várias horas a caminhar já o dia se encontra a meio e Manuel ainda não comeu nada, observa neste momento uma criança sentada num café a comer uma fatia de bolo e isso recorda-lhe a dor de barriga que reclama por algo quente.
Manuel afasta-se do local e caminha várias horas sem rumo até que a noite surge. Resolve ir para o seu carro-casa e não aguentando mais esperar pelo Natal, decide abrir hoje a sua prenda e comer o rebuçado, a única coisa que o seu estômago iria sentir para além de um copo de água.
E é com o doce sabor a morango que Manuel adormece numa fria noite de Dezembro, a noite que os termómetros registam como a mais fria da última década… a noite em que o Manuel adormeceu abraçado aos seus tesouros para nunca mais acordar.
Publicado por Humberto Morais e colocado em Conto |
16
Dezembro
2007
Cantam as palavras,
Textos escritos nos pergaminhos,
Ecos do pensamento,
Baladas antigas, trazidas pelos ventos…
Murmúrios que se soltam,
Que despertam gerações…
Gravadas nos corações dos eternos amantes,
Que se perdem nas noites frias,
Em tantos momentos intemporais, quentes.
Palavras que se soltam, que cantam…
Libertam a voz que há dentro de mim,
Ilustrando a força de uma ternura…
Da paixão que arde num peito,
O sorriso que rasga o meu rosto…
E que conduz o meu corpo além-mar,
Onde o sol e a luz abraçam o infinito.
Um olhar que nasce, na noite escura…
Iluminado por archotes de dignidade,
Entre os espinhos de uma rosa…
Pura, que floriu em jardins de saudade,
De alguém que partiu,
Marcou o triste som de um adeus…
Lágrimas que derramo, e que dançam no rosto,
Quando as mãos frias perderam o calor,
Ao longe escuto ainda os murmúrios…
O doce toque dos teus lábios nos meus.
Num ritual que me seduz,
Uma ave que abre asas e voa no infinito,
Rasga os céus, é dona do mundo…
Quero voar também, sentir o tempo num segundo…
Voltar a ser criança, brincar… Na inocência viver e acordar,
Em sonhos, viagens distantes, histórias de encanto…
Na voz intemporal dos meus avós, vagueio no silêncio,
O poeta que solta as palavras no desejo…
E escuta o som que embala…
Cantam as palavras.
Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
10
Dezembro
2007
I
A angústia me consome
Esperança não há mais
Pernas trémulas sentem,
Inunda-me de desespero
O vento no meu peito tocar
Ela grita, voz vibrante n’alma
II
Atado, pelo medo…
Chuva escorre os cabelos
Onde olhar? Não há horizonte
Relâmpagos tomam os céus
Vou-me para July, tocá-la
A última noite de julho
III
Cabisbaixo para a morte
Tenho de aceitá-la, venha!
És única certeza que conquisto
Não devolvo lâminas.
Pois as levo comigo. Vou longe.
Talvez não conto-lhe o retorno.
Publicado por Rafael Daguis e colocado em Poesia Gótica |
10
Dezembro
2007
Parados em frente ao tempo de nós
andamos de costas ao lado um do outro
presos ao ópio de esperanças vencidas,
retorcidas por ensandecimentos perdidos.
No caminho já não nos cruzaremos.
Tu em frente. Eu em frente.
De costas pegados pela senda.
Para ver-te teria que quebrar todo o meu sentido,
reler-me nos sinais de então.
Procurar-te seria desistir deste emudecimento
e voltar a afundar-me em palavras.
Delas brotariam verbos,
conjugados em ódios.
Delas brotaria o amor.
Publicado por Catarina Silva e colocado em Poesia |