8
Janeiro
2008
Perco-me em labirintos de espinhos,
Descubro que o eclipse esconde a luz,
As trevas abraçam o nosso destino…
Num manto que sufoca o amor,
Ácido que corrompe e mata lentamente…
E tenho medo…
A tempestade agiganta no mar,
As vagas que aprisionam o ser…
Nuvem que esconde as estrelas da noite…
E que impede os diamantes de luzir,
Corpos que não se sentem…
Mãos que não se tocam,
O coração que bate tristemente,
Lentamente… esperando o último suspiro,
Um grito, mudo, fechado a cadeado…
E no silêncio…
Um caminho sem começo, sem rumo ou destino,
Estradas de pedras que calejam os pés,
Névoas que chegam e abraçam,
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
7
Janeiro
2008
Cai a noite apressadamente sobre nós.
Mal tive tempo de te dizer ‘olá’ e já se impõe um ‘adeus’,
dei-te apenas um abraço terno e quente e não pude sequer sentir o calor do afago das tuas mãos.
Cai a noite apressadamente
e nem um instante de aconchego consigo ter,
nem um instante de prazer consigo dar.
Sucessão monótona e apressada de momentos e horas que fazem dias e meses.
Mal tive tempo de te dizer que tens o sorriso meigo e delicado,
que me levas a sonhar nessas histórias que contas com encanto.
Cai a noite apressadamente sobre tudo,
só brilha a Lua e a estrela poética que consegues descrever entre suspiros e palavras,
só no cais a luz de gente que chega e que parte,
só no areal brilham os sulcos dos nossos passos.
Cai a noite sobre nós, bem sei,
e ainda te quero beijar, ainda te quero fazer sorrir
e estremecer ao deslizar o meu polegar na palma da tua mão!
Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética |
7
Janeiro
2008
Povo meu, Gente minha que me acolhes
Adentro nas tuas casas me sento junto a lareira
Que saudades tenho de vocês meus queridos velhos
Do vosso alarido ao encherem de carne a tripa do porco
Ouvir-te a ti minha tia de setenta anos que fala do ano passado
Esperamos juntos pela hora em que nos deitemos em colchões de lã
Sonho eu a manhã seguinte em que me deixes dar trigo as galinhas
Vejo-te nesta manhã com o teu olho no fogão onde assenta o almoço
O nosso dia vai crescendo nos cumprimentos aos compadres
Esses que a par de nós nos deixam a sua porta aberta
Onde entra o sol e a brisa que faz respirar as tuas paredes de cal
Por onde entro também para lanchar leite com café e pão com manteiga
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Publicado por Dadof e colocado em Poesia |
6
Janeiro
2008
Sinto o amor que escorre nos braços e nas mãos,
Como as gotas do orvalho nas manhãs frias…
Que fluem, lentamente, pelo caule das flores,
Descendo, com sensibilidade, pelo dorso,
Em profundos silêncios, nas loucuras anunciadas…
Feito de gestos perfumados do toque dos teus dedos,
Que me fascinam e despertam desejos adormecidos.
Oiço o murmurar do vento,
Que transporta o doce sabor da tua voz…
Provocando arrepios de calor,
Na inspiração do momento,
Levo o pensamento mais além,
Como uma pluma que desliza em céu aberto.
Vejo o sol que rasga a noite,
Num alegre despertar da vida…
Nas cadências iluminadas dos sorrisos,
Que fermenta ardentemente febres de paixões,
Sinto-te ao meu lado, naquele comum abraço…
Num tempo que acaba e onde fazes parte de mim.
Saboreio o toque suave dos teus lábios nos meus,
Criando um ecstasy infinito, que me eleva neste renascer,
Abro as asas e parto na imensidão do horizonte,
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
5
Janeiro
2008
Hoje o mundo sonhou que não acordava
E uma voz dentro dele vociferava
A mãe de todas as coisas para o berço olhava
Chorava o céu porque nada em si já brilhava
As crianças nuas caminhavam num futuro desalento
As portas das casas batiam e não era pelo vento
O homem escondia-se nas torres de marfim
A humanidade rezava e pedia pelo seu fim
Foi então num fogo de coragem e de vontade
Que uma voz entoou, em tamanho desmando de liberdade
Trouxe olhares e forças que nos fez seguir viagem
Incautos agarraram a cauda da vida e toda a sua imagem
Todas as coisas aconteceram e assim o mundo o viu
Que pela vida o céu brilhou e para ela sorriu
Na caixa de pandora voltou a essência de quem sonhou
Pela virtude de quem a abriu e que para sempre o mundo amou
Publicado por Dadof e colocado em Poesia |
4
Janeiro
2008
Nos meus sonhos,
Vejo o teu rosto…
Deixo-me levar em intermináveis momentos,
Dos quais não quero acordar,
Sinto a aragem da manhã,
A percorrer, lentamente, a minha pele despida,
Que me abraça e arrepia,
Desliza como néctar de luxúrias quentes,
Como o beijo que me prende,
Hipnotiza e me faz vibrar…
Solto tudo o que há em mim,
Explosões titânicas de um corpo nu…
Que conquistas com o teu saber,
E percorres na imensidão,
Neste cosmos uno, todo teu.
Olhares que se trocam,
Espelhos de um amor sentido,
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
3
Janeiro
2008
Sou pequeno e feio,
E bato o pé em compasso,…
…, para afastar o frustrante.
Abro o peito ao indizível,
Porque espero a lata do tempo,
E o gingar do ridículo.
Além, estou eu em prantos,
Aquém, o que escrevo a bolsar,
Diminuído nos meus propósitos,
A fazer o menos porque odeio o mais…
Publicado por rodinhas e colocado em Poesia Gótica |
2
Janeiro
2008
Sou escravo das palavras,
Prisioneiro do meu próprio eu,
Navego em sonhos, liberto poemas,
Destemido, mato as horas que passam,
Em correntes de lava, vou à deriva…
De mãos despidas, venço o medo.
Conquisto o mundo em segredo,
Vivo mortes anunciadas,
De sentimentos nostálgicos,
Chegam e partem… na aurora que desperta,
Nas noites que me abraçam.
Feito de mitos e de nada,
Rituais dissipados na tinta que escorre,
Em danças, numa ortografia de pavios iluminados,
Que me enchem o peito,
Num cálice de emoções…
Acorrentado, bebo da vida,
Em goles suaves, num paladar doce.
Em viagens alcanço o horizonte,
Onde o céu e a terra se unem como amantes…
Lindas são as asas que não tenho,
Como o colibri que voa,
Numa esperança presente sem fronteiras,
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
2
Janeiro
2008
Odeio a poesia como forma,…
A envolver o curto sentir de,…
…, quem se apouca face ao medo.
Que se combata o fluir de ideias,
Abrace-se a negatividade do silêncio,
Detesto a pequenez de um verso,
No domínio do astral, que seja um grão,
Falando de felicidade, é nada,
Abomino rimas. Mortas por asfixia,…
…, sentencio do alto da passividade.
Odeio a poesia como abstracto,
Clara só mesmo a ignorância,
Dura, sempre a pequenez de sentimentos,
Abri os olhos para a vida, e descobri,…
Que adoro a poesia como oxigénio,…
Morte ao monóxido de carbono do concreto….
Publicado por rodinhas e colocado em Poesia Gótica |