26 Março 2008

A fonte

Publicado por Luis F em Poesia |

No perfume cristalino dos sonhos,
Entre as pedras que marcam o destino…
Procuras nas estrelas o caminho,
Entre os limbos e os silvos do próprio ser.
Jorra límpida a água na fonte,
Onde sacias a tua sede, na frescura da alma…
Bebendo do tempo e do espírito,
E mergulhas na imensidão das palavras.
Palavras que deslizam em caudais,
Em veludos declamados por uma boca que os diz,
Nascem no interior do mundo,
Neste mundo que nasce de ti…
Filamentos em versos que enriquecem sem ouro,
Cheios de nada, nascem e escorrem,
Embala quem os lê, em harmonia no silêncio do poema,
Escrevo pétalas de sentimento.
Fonte que jorra, de sonhos do infinito,
Gotas de seda que encadeiam e acendem o céu,
Endoidecido em loucuras sãs que percorrem quem sente,

Numa volúpia que fica e que parte.
Força de líquidos emancipados,
Comungas sentimentos de metamorfoses constantes,
Na frescura do deleite que percorre a tua natureza,
Enches o cocho das letras que deslizam nas bicas.
Na minha pobreza, sou mendigo da minha alma,
Não te posso dar mais nada, para além daquilo que vês…
Ofereço-te assim as minhas singelas palavras,
Nesta fonte que jorra, se quiseres beber.

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