31
Maio
2008
Ontem troquei amor por amizade.
Triste decisão que ainda não aceitei.
Na verdade tudo te dei, mas não bastou, não se encontrou o teu e o nosso amor.
Apenas se encontraram nossos peitos, nossas bocas, nossos corpos.
No início, no início digo-o com sede te ter razão e certeza, nosso amor encontrou-se, mas não ontem, mas não hoje, mas não amanhã.
Um e outro ficaram desiguais. Como se teu sorriso lindo e rosto pequeno já não reflectisse meu sorriso franco e rosto grande.
Mas depois não mais. Não sei. Não sei porquê.
Tudo dei.
Tudo deste.
E no fim.
No fim trocamos amor por amizade.
Uma troca triste, para que sobrevivamos um dia mais. Um dia apenas. O dia de hoje. Mesmo quando a vida parece terminar.
Mesmo quando a vida se escorre pelo rosto como sangue.
Como desesperado e salgado sangue.
Rumo a um oceano impuro.
Tudo deste.
Tudo dei.
Não foi suficiente.
Universo mirrado de tristeza e agonia.
Ontem troquei amor por amizade.
Triste decisão que ainda não aceitei.
Um dia vou perceber e aceitar.
Ontem sobrevivi apenas mais um dia.
Ontem morri muito mais que um dia.
Publicado por Marinheiro e colocado em Poesia |
31
Maio
2008
a janela aberta ao vento dos sonhos
o painel descrito na moldura natural
aves distante
as pedras brotando no jardim das almas perdidas
o amor florestal presente
agua latente descendo o corpo amado
o beijo louco do mar
entre as praias do meu desejo
e as poeiras do destino
a cidade ao longe, o homem na rua
a vida passando ao largo de nós
Publicado por ferreiro Rodrigues e colocado em Fugas |
29
Maio
2008
Não há toque de lábios tão perfeito
nem toque de mãos,
corações acelerados em compasso perfeito.
Não há sequer outro momento como este,
doce e terno olhar depois do fogo ardente
em suor e desejo.
Não há toque de lábios tão perfeito
nem sabor assim,
sereno em pauta inacabada.
Não há sequer outro momento assim,
porque a perfeição está no olhar e no sentir,
e na posição perfeita desta lua cheia!
Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética |
27
Maio
2008
Sou um ser de galáxia distante, onde o universo é cor de laranja, o sol é azul e adora desenhar bonitas paisagens e todos os planetas têm telinhas de papel que são responsáveis pela manutenção do feixe de luz que faz todos eles girarem.
Cheguei a Terra no dia 15 de abril de 1879, perseguindo uma abelha de plasma que falou para todas as estrelas vermelhas que eu sempre usava uma agulha para produzir raios.
Chegando a Terra, fiquei tão maravilhado com o carpete vermelho desenhado com caravelas amarelas que estava estendido na porta de um casal de senhores chamados Marx e Durkheim que resolvi ficar.
Apesar de toda a diversão que encontrei na Terra, eu ainda precisava encontrar a maldita abelha de plasma que contara mentiras sobre eu para as estrelas vermelhas.
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Publicado por Paulo Henrique e colocado em Conto |
27
Maio
2008
Sou um arauto, louco talvez…
Coração que grita, espasmos de amor,
Numa flecha que trespassou meu peito,
Dores desvairadas que sinto,
Neste querer eterno.
Não fujo desta prisão e viciado fico,
Nos grilhões dos teus braços que me prendem,
Calor da tua boca que me seca,
Nada mais importa,
Tudo sinto, tudo quero.
Respiro sonhos de palavras ditas,
Nos silêncios que partilhamos,
Segredos que guardamos,
Promessas retidas…
Correm em mim chamas vivas,
Dum amor que percorre o meu dorso,
Dos momentos findos e infinitos,
Em laços perpétuos,
Registados pelo tiro certeiro.
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
26
Maio
2008
A chuva é maravilhosa. Lava a lama das estradas, rega os faustosos jardins, apaga os brilhantes fogos de uma guerra distante. Marte, no topo do seu trono, olha-nos com um suspiro. Olha para o lado, Vénus ainda não se levantou e Zeus lava os dentes. Nos seus escritos amaldiçoa. Amaldiçoou-nos, amaldiçoou-os. Desespera com cada aurora alada, cada milímetro do seu corpo a estremecer de raiva e fúria. O martelo está na mesa, inerte, gigante, pesado. Na sua dureza é frágil como um vidro, doce com um corvo que sente a falta de sua mãe e que não abandona por nada o seu ninho. É irónico, sarcástico, refugiado assim nos meandros da mente farta, desolada. É Rei sem reino, príncipe regente sem futuro. E sonha com o luar, com os corpos nus das suas musas de outrora, dos suores pungentes da vida feliz, pura na sua entrega animalesca. É Deus, é poderoso. É um pequeno gatinho a quem deram armas e escudos, sem saber como os usar. Aceita. Sempre quis mais do que si próprio, uma superação imensa e brutal que demanda mais de si que a busca do Graal, bebedouro dos pobres, alimento de gerações, ouro, jóias, rubis dos ricos e dos velhos. Não sou quem pensei ser. Nunca quis ser assim. Fui amado a cada dia da minha vida, que brotara como colorida e bela flor num infinito jardim, que acabou. E com ele…
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Publicado por crucius e colocado em Prosa Poética |
25
Maio
2008
Das letras surgem palavras,
Sereno mundo em que me deito,
Respiro perfumes no teu leito…
Em linhos de magia.
Estrelas cadentes que se acendem,
Velas que bailam em encantos,
Pedras fundidas num ouro que brilha,
Histórias de alquimia,
Beijos dos amantes.
Voam aves no horizonte laranja,
Quando o dia abraça a noite,
Ardentes sereias a cantar,
Barcos perdidos, segredos no mar,
Em telas de fundo azul.
Moldo o barro com encanto,
Mãos que transformam,
Constroem o mundo…
Foguetes que queimam o céu,
Cores majestosas acendem o prisma.
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
21
Maio
2008
Pensa a divina entidade do gesto na tarde.
Não apenas palavras, mas únicas, como cantos;
Um fraseado colorido de “lagartas borboletas”.
(Riscara meu livro na inútil melancolia;
Reli os poemas traçados a tinta fusiforme;
Reergui labirintos esquecidos no passado.)
Sem sentido vagueou um luar…
As tuas praias desertas detiveram-se suavemente,
cintilando a safira no gelo purpúreo do entardecer.
Quando ergui os lábios à tua taça
O meu rosto desvelado ganhou novamente o sentido do ser:
Filosófica quantidade que te hei-de sempre ofertar.
Publicado por antoniodasilva e colocado em Poesia |
19
Maio
2008
Posso ficar sem palavras,
E no silêncio habitar…
Navegar na noite,
Em mantos de estrelas cintilantes.
Abraçar o dia,
Como se eu fosse parte do infinito,
E o infinito parte de mim.
Subo a montanha,
Faço ecoar a minha voz,
Em prismas lançados ao vento,
De ecos que o tempo segredou.
Atravesso o oceano…
No meu barco de sonhos,
Em rumos incertos,
Seguindo o mapa dos sentimentos.
Mergulhar nos filamentos do tempo,
Entre alegres recordações,
Simples momentos de prazer…
Como campainhas que tocam melodias,
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
13
Maio
2008
O que é isto que sinto?
Raiva acumulada?
Dor acumulada?
O que é isto que me faz perder as forças?
Nada faz sentido…
“Dá tempo”
Mas o tempo cura???
Já passaram alguns meses e continua tudo igual.
Não era suposto o tempo curar?
Não era suposto já não sofrer?
Não era suposto já não pensar?
O que é isto que sinto?
É dor, eu sei! É dor insuportável!
Magoa… e não sei como fazer para ela desaparecer.
Publicado por euzinha e colocado em Fugas |