Um pequeno colorido.
Publicado por Paulo Henrique em Conto |Sou um ser de galáxia distante, onde o universo é cor de laranja, o sol é azul e adora desenhar bonitas paisagens e todos os planetas têm telinhas de papel que são responsáveis pela manutenção do feixe de luz que faz todos eles girarem.
Cheguei a Terra no dia 15 de abril de 1879, perseguindo uma abelha de plasma que falou para todas as estrelas vermelhas que eu sempre usava uma agulha para produzir raios.
Chegando a Terra, fiquei tão maravilhado com o carpete vermelho desenhado com caravelas amarelas que estava estendido na porta de um casal de senhores chamados Marx e Durkheim que resolvi ficar.
Apesar de toda a diversão que encontrei na Terra, eu ainda precisava encontrar a maldita abelha de plasma que contara mentiras sobre eu para as estrelas vermelhas.
Como eu existia em um plano desconhecido pelos terrestres, eu era invisível para todos os humanos e, para interagir, tive que adquirir uma forma humana, o que acabou sendo bem complicado.
Ser um humano é bem estranho. Os humanos têm uma perspectiva muito limitada e dogmática da realidade, pois, pelo fato de não conseguirem entrar em contato direto com ela e descobrir as maravilhas da existência da vida, eles acabam criando conceitos absurdos e primitivos para dar sentido para sua existência, como as emoções, a política, a religião…, e acabam dedicando sua curta vida apenas para satisfazer esses conceitos. Vivem apenas em função deles. Para eles, a realidade é somente aquilo que eles vivem, aquilo em que já estão inseridos. Eles não estão abertos a novas experiências e conhecimentos, e assim, nunca vão conhecer o maravilhoso e belo sentido da vida.
Após ter adquirido a forma humana, ganhei de uma velha senhora um lindo pássaro amarelo que se chamava Mardtleu.
Mardtleu, apesar de toda sua beleza, não cantava. Passei muitos anos tentando descobrir o motivo que o impedia de cantar. Martros, um velho sábio que vivia no topo da montanha Akkir, disse que Mardtleu não cantava porque, em tempos remotos, passou mais de 200 anos planejando a construção das pirâmides do Egito. Já Eltor, um jovem artista apaixonado por história, afirmou que Mardtleu não cantava devido ao remorso que sentia por ter feito cocô nos lindos cabelos de um jovem rapaz chamado Jesus, o qual teve sua vida precocemente tirada por, supostamente, ter feito apologia a bebidas alcoólicas e a caça indiscriminada de peixes.
Independente da opinião de Martros e Eltor, eu tenho quase certeza que Mardtleu não canta por causa do pequeno – porém irritante – tumor que ele tinha no bico, chamado Ejjel.
Ejjel era um tumor bastante curioso. Sempre nervoso e viciado em observar árvores cintilantes, ele sempre afirmava que, quando morresse, deveria ser enterrado no lindo mausoléu de mármore construído em 1596 em Touraine, pois, segundo ele, o mármore do mausoléu era trabalhado com gravuras e escrituras que foram muito importantes para os humanos naquele ano.
Numa tarde chuvosa, corri como nunca havia corrido antes em direção ao lago Chuctyne onde, após uma longa dança e muitas taças de uma bebida alcoólica, tive a consciência das leis e regras que são cuidadosamente criadas para que a pequena gota de água jamais caia da folha de carvalho antes que as brilhantes luzes que vem do norte cubram os olhos de todos aqueles que procuram ao seu redor as imaginações que criam o perfeito equilíbrio de todas as suas previsíveis ações.


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