20 Junho 2008

Publicado por aifos em Prosa Poética |

Uma questão de fé?

A vela arde, inocentemente.
Nela todas as dúvidas, todos os porquês, todas as derrotas
Nela todas as angústias, todos os sentimentos de vazio e de amargo fel
Nela todas as preces.

A vela arde, inocentemente,
com ela ardem os pecados e não os pecadores,
com ela ardem os palavrões que a vida nos faz dizer,
com ela ardem os obstáculos, acreditamos.

A vela arde, inocentemente.
Fé dos Homens
Fé dos mortais
Fé dos demais que não acreditando a acendem e pedem por nós.

A vela arde, a cera cai e acompanha a lágrima.
A chama cresce,
a fé não morre…

A vela é tão somente tudo isso e mais
uma luz que embala e sorri!

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Publicado há 3 mêss, 3 semanas em Sexta-feira, Junho 20, 2008 às 21:40 e está arquivada na secção Prosa Poética. Poderá seguir as respostas a esta entrada através da alimentação RSS 2.0.
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Actualmente existem 3 comentários ao “Fé”

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  1. 1 A Junho 23, 2008, antoniodasilva escreveu:

    Esta singela poesia merece uma séria reflexão, que ela própria contém e suscita. É uma reflexão antiga deixada pelo grande Raul Brandão. Vou apenas transcrever os dois últimos parágrafos do seu lindo conto “A Luz Não se Extingue”. E digo que a transcrição não faria qualquer sentido sem as palavras que as ideias suscitaram no autor do poema que acabaram de ler:

    “Mas então - pergunto - é a dor que não se extingue ou a luz que não se extingue?

    Nem a dor nem a luz”

    Esta poesia é a antítese do pessimismo de Raul Brandão. Mas quase apenas no sorriso final da luz…

    Procurem este bonito conto porque o hão-de amar a vida toda. Edição Seara Nova.

  2. 2 A Junho 23, 2008, aifos escreveu:

    Que bom saber que que reflexão é também palavra deixada por estas linhas!
    Obrigada pela sempre atenta participação, vou procurar o conto!

  3. 3 A Junho 25, 2008, euzinha escreveu:

    A vela que arde inocentemente nunca se apagará…
    Já sentiste que o poder de manter essa vela acessa é teu?
    A vela… a fé…
    Algo que nunca se vai apagar!

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