1 Agosto 2008

Pedras

Publicado por Venctus em Fugas |

Caminho perdido na penumbra matinal.
À medida que avanço vagarosamente
Esbarro nos obeliscos andantes,
Nas pedras não pensantes que deambulam a meu lado.
Todos os dias encontro os mesmos,
Como se tratasse de uma rotina mecânica
Do tempo em si.
Tento abstrair-me,
Penso que sou deus,
Que tenho o poder de trocar de caminho
Quando e como bem me apetecer.
Mas não o faço,
Não consigo fazer.
Implica descoordenamento,
Tirar a corda ao relógio,
Morrer para este mundo.
Esfrego-me insistentemente,
A manhã é gelada,
E as pedras cegas nem para aquecer servem.
Continuo no meu arrastamento matinal,
Até que ao passar por um espelho,
Reparo que algo está errado,
Olho novamente,
E concluo,
Estou a ser uma pedra.

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Publicado há 3 mêss, 2 semanas em Sexta-feira, Agosto 1, 2008 às 16:09 e está arquivada na secção Fugas. Poderá seguir as respostas a esta entrada através da alimentação RSS 2.0.
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