29
Outubro
2008
Da vida esperamos sempre que nos trague, mais cedo ou mais tarde, com maior ou menor dor…
Mas é uma esperança enterrada num canto, num sítio escuro e andrajoso da nossa humanidade, um sítio escondido, em que deixamos que a voracidade que nos engolirá coabite connosco sem nos perturbar…
Esperamos que nos deixe em paz durante todo o tempo possível.
Mas um dia ela salta-nos ao caminho sem que lhe possamos dizer sequer uma palavra de protesto, sem que possamos negociar com ela mais uns dias de amanhã.
Para uns esta voracidade vem como um dado adquirido depois de demasiados anos de uso, as máquinas que nos mantêm a trabalhar param. Umas por falta de uso, outras por demasiado uso, outras por uso indevido…
Mas por vezes acontecem erros de programação…
Foi o que aconteceu com o Teodoro.
O Teodoro (que nome tão estranho para um rapaz tão novo) tinha acabado de se fazer homem
Publicado por Sahaisis e colocado em Fugas |
28
Outubro
2008
não há
nem chuva
nem sol
não há
nem brilho
nem escuridão
não há
nem silêncio
nem confusão
desde que me esqueci
da luz
do riso
do sal
de mim
Publicado por malu e colocado em Fugas |
26
Outubro
2008
Faltam-me as palavras
Mas o pensamento não pára
Como um carrossel desgovernado…
Atormenta-me esta apatia
Esta necessidade bruta de me sacudir pra nenhum lado…
Viro-me do avesso, e de mim não cai nada…
Secaram-me todas as lágrimas
Desmontou-se todo o meu corpo
Encolheram todos os meus tecidos
Não sei já que líquido corre nestas veias
Apaguei-me em todos os meus circuitos
E não sinto nenhuma paz…
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Publicado por malu e colocado em Fugas |
25
Outubro
2008
Amanhã…depois…
Entre muitos outros…só em mim
Cheia de palavras…completamente muda
Crescida, tão certa…tão indefesa
Menos mal…assim-assim
Tão diferente…tão sempre igual…
Quantas caras tem
O amanhã…o depois ?!
Quantas vezes
Ninguém responde…ninguém sabe
Porque choras…porque ris…?!
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Publicado por malu e colocado em Fugas |
22
Outubro
2008
Ainda ontem te vi
No claro azul claro dos teus olhos
Sim…
Ainda lembro como se fosse ontem
E já passou algum tempo
Algum…
demasiado tempo
Sem te ver
Ainda agora te senti
Teus ossos nos meus
Como se o teu abraço me apertasse
Como eu tanto queria agora…
antes de ir dormir
Antes de mais uma vez fechar os olhos
E voltar a adormecer… a acordar…
sem ti a meu lado…
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Publicado por malu e colocado em Poesia |
21
Outubro
2008
Mais do que ficar à espera que me escrevas, ou que me repreendas com os teus intermináveis silêncios, procuro palavras, para me ligar a ti. Não sei ficar simplesmente desligada de nós e, onde quer que eu pare os meus olhos, há sempre algo, de nós, por toda a parte.
Posso passar um dia inteiro e apenas proferir o indispensável e, viver como muda durante muitos outros dias, pois ninguém mais deverá saber como tu arrancar-me as palavras. Porque aos outros tenho que falar, pra me ouvirem, mas a ti sei que não, sei que tens o coração fora do peito neste preciso momento em que tas digo, em que te escrevo, porque ambos sabemos que meio coração que temos, é do outro.
Sei que estás enclausurado neste silencio manso, tal como eu.
Sei também que te magoo com as palavras, e tu sabes que nada podemos fazer, nem eu nem tu, para o impedir.
Porque as palavras que te digo, rasgam-me o pensamento. Saem de mim, tantas vezes abruptamente, sem querer, que até me assustam, nesta surdez que interrompem sem pedir licença. Assaltam-me, como que gritam dentro de mim, e escrevo-tas, onde nunca as lês, onde não basta, onde não vens, onde não estás… Ler todo texto »
Publicado por malu e colocado em Romance |
20
Outubro
2008
Sonhei,
Queria levar-te comigo,
Mostrar-te a beleza do meu sonho…
Navegar no céu límpido,
Voar sem destino,
Deixar apenas um rasto branco,
Feito de pureza que registo.
Tenho medo!
Medo de quebrar o filamento do horizonte,
Nos fios que adornam o tempo,
Que a música cesse,
Nas baladas que componho,
Nas palavras que escrevo,
Rasguem-se em pedaços de nada.
Acendo o sol,
Não quero que fiques sozinho…
Partilho contigo o meu destino,
Na estrada da minha imaginação…
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
19
Outubro
2008
Porque será que o dia da mãe, me dá para chorar? Será que sou uma mãe frágil?
Será que sinto a falta da minha mãe? Será que, queria ser mais, muito mais Mãe e, simplesmente tenho pena de o não conseguir?
Reflicto apenas nas mães que mais me são próximas, e só entre meia dúzia de pessoas, já haveria tanto para sentir, para dizer, para relatar, para acarinhar, transpondo este cordão para todas as mães desta galáxia e arredores, tanto, tanto, quer dizer a palavra mãe…
O dia é de palavras mansas sim. Muitos nem ligam, outros, que já nem têm paciência para prendas, nem “tempo”, porque está difícil para todos, lá dão apenas um toque, um telefonema, um abraço, um “adoro-te mãe”, e passa mais um domingo, primeiro de Maio, mais um dia da mãe.
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Publicado por malu e colocado em Fugas |
17
Outubro
2008
Restos de sol, ferem meu último olhar.
Rastos de luz, escurecem o meu eterno viver.
Sombras, de tudo o que fui e o que vi,
Mancham de negro, o nada que serei.
Apenas partes, espalhadas, roubadas de mim,
Se separam, se desvanecem, pelos cantos onde estive.
E, mesmo nada tendo para guardar,
Recolho hoje tesouros do meu ser,
Reclamo agora, por glórias que perdi,
Em tantas páginas que saltei, desse livro,
Meio lido…meio apagado e, sem fim…
Contando em branco, as histórias,
Da alma morta, que em mim vive…
Cantando baixinho, memórias…
As que sonhei e, não tive!
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Publicado por malu e colocado em Fugas |
16
Outubro
2008
Hoje é o dia,
Em que a dúvida surgiu…
Porquê?
Alguém terá perguntado
Deslizei no silêncio,
Resposta não tinha…
Lobos famintos
Caminham na madrugada…
Surdo rumor se ouvia
Rede vazia,
De ausência atroz.
Mãos suadas,
Calejadas pelo tempo…
Moribundos sem medo,
Enfrentam o destino,
Perguntando…
Sempre perguntando
Porquê? Porquê?
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |