28
Novembro
2008
Um pingo de luz,
- andando por aí -
sorriu para mim.
Um raio de sol
- andando por aí -
iluminou o dia.
Uma criança
- andando por aí -
com as mãos cheias de estrelas
abraçou o pingo de luz,
voou no raio de sol, com o nome de Bondade.
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Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Poesia |
27
Novembro
2008
(Às pessoas simples, que vivem e sonham a PAZ, onde os motivos da violência são desconhecidos. Às vítimas das ideologias).
Depois da devastação, uma calma terrível tomou conta de tudo e de todos. Sem avisar, a guerra viera. E, sem avisar, as pessoas amadas foram pegas de surpresa, no bombardeio da morte.
Lenita olhava ao seu redor, do alto de seus 12 anos de idade, olhava para o pai, para a mãe e os dois irmãos, pedindo, mudamente, uma explicação para tudo aquilo.
O rugido dos tanques e das metralhadoras já estava muito longe, e a família de Lenita veio do outro lado do país, assim que souberam do ataque fratricida à fronteira, onde ficava o sítio das primas, dos tios e da vovó Zelda, que foram mortos por motivos totalmente alheios ao seu dia-a-dia, que era feito de trabalho e de sonhos pacíficos, mas jamais contando com a violência e com uma morte tão terrível.
Lenita ainda lembrava das cartinhas carinhosas que Maria Haidê lhe escrevera, contando sobre as pequenas alegrias do sítio. Olhando ao seu redor, parecia reler mentalmente as cartas da prima:
“- Querida prima Lenita. A vida aqui no sítio está muito calma, mas já sabe que a rotina daqui é bem diferente daquela rotina da cidade grande. Ontem, ainda, a vaca Mocha deu cria a uma linda terneirinha, que vamos chamar de Branca, porque ela é toda branca,com manchas pretas. Ela é linda!”… Ler todo texto »
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Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Conto |
27
Novembro
2008
Vejo-te ao longe. Tu não me vês.
Vens. Caminhas na minha direcção sem dares conta que ali estou. Espero-te. Ao aproximares-te, cresce aquele arrepio, fico paralisada, não consigo pensar. Aproximaste mais um pouco. Muitas imagens me passam pela cabeça. Aquela vontade de te ter. Aquela vontade de te falar. Aquela vontade de ficar a olhar para ti. Aquela vontade de querer e não poder.
Vagueio pela rua. Sozinha. Apenas com um único pensamento: Tu! Ficaste, marcaste o teu lugar no meu coração sem saberes e permaneceste. Permaneces em silêncio. Caminhas devagar.
Eu, apenas eu. Sozinha por aqui.
Chegaste. Olhas para mim. Cruzamos os olhares. É agora! Chegou a altura de saberes tudo.
Não! Não consigo! Cumprimentas-me e eu desisto. Estás tão perto. Não tenho coragem. Aquele medo. Aquela ânsia de querer e perder. Desisto de novo. Vou embora. Não consigo olhar para trás. Porque sei que estás lá. Tão perto mas tão distante.
Não me vejas a chorar.
Cada lágrima. Cada pensamento. Cada imagem. Tu lá atrás.
Continuas a caminhar. Porque estou a fugir? Fugir de um sentimento que sei que existe.
Dou meia volta. Não desistes de mim.
Volto-me na tua direcção. Sou eu. És tu. Talvez um dia seremos nós…
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Publicado por Sonhadora e colocado em Romance |
27
Novembro
2008
Corro…
Como se o tempo acabasse,
Como se a ave não voasse
E o dia não nascesse…
Corro…
Passos largos,
Os pés que beijam o chão,
No abraço que te dou…
Que me dás…
Neste mergulho infinito
Em teu corpo.
Corro…
Nas palavras que escrevo,
Onde vagueio…
Nas memórias do passado.
Hoje, presente
Bêbado em sonhos
No silêncio esqueço.
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia |
22
Novembro
2008
Amarelos,
Nobres,
Floridos
São os girassóis
Da Rússia
Que
Um dia,
Tingiram-se
De sangue
Carmim
De um povo
Inocente.
Amarelos,
Nobres,
Floridos,
São os girassóis
Do Brasil
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Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Fugas |
20
Novembro
2008
Era um tapete
Era uma margem
Um aconchego
Uma paragem
Era um tripé
Era uma rede
Um pedaço de vida
Era uma fé
Nesta maré
Nada mais é…
Volto à viagem
Sigo na estrada
Essa espuma branca
È quem me leva
Sou grão solto
Uma espécie de areia
Bato na rocha
E volto atrás
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Publicado por malu e colocado em Poesia |
20
Novembro
2008
Lá pelos idos de 1964 – hoje conhecidos como anos de chumbo – Santa Rosa era uma cidade em pleno florescimento, ainda no início da construção de prédios de pequeno porte, e do calçamento das ruas barrentas, onde, em dias de chuva, acontecia um verdadeiro caos, com os carros usando enormes correntes nas rodas, e os pedestres usando galochas e botas pesadas, para se proteger do clima úmido.
Na rua que passava diante da casa nº 604, da Euclides da Cunha, o calçamento havia sido feito, recentemente. Nesta casa, de estilo italiano, muito alta, e de madeira bem forte, habitava a família barulhenta e alegre do casal de origem alemã, José e Elisabeth, que vieram há pouco tempo de mudança para a cidade, com seus cinco filhos: três meninas e dois meninos. A menorzinha de todos, Rosa, com seis anos de idade, gostava de ficar à janela nos dias de chuva, vendo as pessoas passar com seus guarda-chuvas, e a água rolando nas valetas da rua, formando poças e pequenos riachos cantantes.
A impressão da vida,dizia que tudo era maravilhoso, ainda, pois brincava bastante com seus quatro irmãos, que faziam escadinha na idade: 8, 9 (as meninas) e 10 e 11 anos (os meninos). O pai trabalhava no Banco da cidade, e a mãe cuidava da casa, das crianças, e do orçamento doméstico. Tudo parecia estar no seu devido lugar.
Mas, havia um porém… Ler todo texto »
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Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Conto |
12
Novembro
2008
Chuva que te cai no rosto e te esconde as lágrimas, assim caminhas tu, cabisbaixo para casa.
Fervem os teus pensamentos em contraste com o frio que se faz sentir. Passos pequenos embora a chuva caia com mais intensidade. Não queres ir já para casa, não para essa casa, onde ela não está, onde cais em rotina e não sentes o bom que é amar e ser amado. Não queres agora, só agora, porque o dia foi demasiado longo, demasiado escuro, demasiado sem sal.
Divagas entre pensamentos patéticos a pensamentos vazios. Consegues nem sentir a chuva, esquecer porque choras. Consegues atravessar a cidade em busca do nada. Sem sentidos.
Por um instante, um arrepio percorre-te a alma.
Está a correr rua abaixo um turbilhão de vento e água, está a correr o tempo, tanto tempo sem o seu doce e meigo olhar e a sinceridade de ouvir um simples gosto de ti.
Enxugas as lágrimas, mas não a chuva que te ensopa e se entranha até aos ossos.
Corres até casa, mas não estarão ainda juntos.
Amanhã, sim, pensas.
Amanhã dir-lhe-às tudo ou ficarás em silêncio, de mão dada, a ouvir o murmúrio das ondas…
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Publicado por aifos e colocado em Fugas |
11
Novembro
2008
É dia diz-me esta manhã triste e pouco desperta
São as mãos da existência que me puxam as pernas
Fazendo-me sentir o soalho que há anos me faz ficar velho
Dele começa a vida que te faz deixar a cama despida
Começo eu abre a torneira, fecha a torneira.
Mal consigo comer do prato, lavar o prato
Para, arranca no ainda e cedo que no relógio já se faz tarde
Somo filas intermináveis de condenados aos soluços do dia
Ninguém sabe quem é o primeiro ou o ultimo desta lei
Apenas temos que chegar uns aqui outros mais além
Porque no dia temos que sempre voltar a clausura
De uma manhã que se aproxima com ordem de soltura
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Publicado por Dadof e colocado em Poesia |
11
Novembro
2008
Tudo parou…
Quando eu mais temia, que o tempo corresse
Custa tanto estar
demora tanto a passar
Nada sou neste tempo
Não me dou, não estou
Não sou daqui
Desaprendi de tudo
Atraquei nesta ilha
Estancou o meu sorriso
Algo muito forte me barrou
Tudo parou…
Impede-me de seguir…
Encontrei-te? …Perdi-me!
Entrego-me como,
Se jamais me pertenci? Ler todo texto »
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Publicado por malu e colocado em Fugas |