29
Janeiro
2009
mil horas de vazio
te procuro
e tu em mim mil horas
no escuro
se te mostras, se em mim és,
não o desfiro
ao olhar perscrutante
definido
que redunda algures em mim
o teu sentido
onde existes
doce aurora inebriante
donde a bruma
que suspende o teu aspecto
flui sem gesto que se lance
ao teu encontro
face ao rosto
que em memória representa
Ler todo texto »
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 4.0/5 (1 vote cast)
Publicado por creux ame e colocado em Poesia |
28
Janeiro
2009
Meu amigo e conselheiro
Só tu sabes o que ninguém conhece
Cada dia quando amanhece
Te tornas o meu companheiro
Só tu me fazes correr
Voar longe e sonhar
Sentir o que é amar
Nunca páras de bater
Fazes-me sorrir e chorar
Posso em ti confiar
Doce amigo fiel irmão
És o refúgio que não desaparece
De manhã até que anoitece
És sempre o meu coração
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
Publicado por Jorge Brites e colocado em Fugas |
26
Janeiro
2009
Contesto a presunção de amar. Entenderás algum dia porque sou agnóstico? Tomam-me por descrente, desapaixonado, céptico, eu próprio não me sinto a transbordar de vida. Mas que não haja revolta no sentido para a pacificação. Admitir que foram as desilusões que me trouxeram em braços seria aceitar que me deixei trazer. E sei que assim não o foi.
Não invejo os que dizem amar, nem alimento a arrogância de mestre. Não tenho ensinamentos nem palestro. E ainda assim, que se confunda introjecção por apatia estanque traz-me o lívido sabor de injustiça. Não é uma justificação. É um testemunho. Não serei outro depois dele.
O querer não deixará jamais de se fazer sentir profundo. Debato-me entre a comiseração e o orgulho do só. O olhar tem vida própria, remete-me aos espaços questionados. E o que me segreda sabe da arte do quebranto. Cínico, não se inibe de se fazer ouvir pela voz que não é sua. À noite, especialmente. Há noites não tão escuras, sossegos não tão solitários. Há tempo que se condensa neste que aparentemente vês. Mas não. Este que vês não é o que Sou.
Milhares de mim, se havendo quantificação, permeiam-se em múltiplas e simultâneas direcções. Em cada acto, sublima-se o mais exposto. Sou um espectro.
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
Publicado por creux ame e colocado em Prosa Poética |
26
Janeiro
2009
Por onde tu andavas
Quando eu não tinha caminho
Por todo o sítio saltitavas
E fugias devagarinho
Eu não teria sofrido
Eu não teria chorado
Teria logo entendido
E ficaria mais descansado
Escolheste outra estrada
Respeito a opção tomada
Com toda a elevação
Ilusão onde tu chegaste
Ainda bem que me enganaste
Ficou livre meu coração
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
Publicado por Jorge Brites e colocado em Poesia |
24
Janeiro
2009
a quem nos deixou
a perseguir o tempo
a sonhar futuros prováveis
a adorar a incandescência da fogueira
na manhã, no areal da praia
quem me dera fosse ontem
e nada teria sido dito
ainda assim possibilidade
agora sou este
(isto)
e o que faço dele
(disto)
Ler todo texto »
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
Publicado por creux ame e colocado em Poesia |
23
Janeiro
2009
Nasci juntinho ao mar
Por ele me apaixonei
Cedo aprendi a nadar
Dele nunca me separei
Local de meditação
Onde palavras vou buscar
Sigo tua ondulação
Por ti vou querer navegar
Por muito que tente descrever
Não consigo transcrever
Tua beleza estonteante
Fico imóvel sem reação
Bebendo sempre a inspiração
Que me dás a cada instante
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
Publicado por Jorge Brites e colocado em Poesia |
18
Janeiro
2009
Enquanto o tempo não pára
Fico por entre papéis e ilusões, sonhos e febres altas em que te tenho a meu lado,
Fico entre a impaciência paciente e o desejo que calo e recalco,
Fico perdida entre a poesia e prosa da vida, entre desenhos que decalco e silêncios a que me remeto.
Enquanto o tempo não pára,
Fica o sonho resistente, fica o afecto e o amor, serenos e doces,
Fica mais um passeio sozinha, mais um cuppuccino sem açúcar, prolonga-se mais uma tarde de chuva para confundir as lágrimas.
Enquanto o tempo não pára
Fica o sustento remetido para depois, bem como o reencontro.
Fica o rosto mais velho, que teima em gargalhar menos, e apenas sorrir.
Enquanto o tempo não pára
Ficam as pegadas, sozinhas, no areal da praia
e a luz do farol entre cada sussurro das ondas.
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética |
10
Janeiro
2009
Sugiro-te que vás ao meu amargo coração
E decifres a raiz das palavras galopantes, que doem como razão.
Guarda sem vãs resistências todas as sensações, apegos, desvios,
Presencia os latejos descompassados,
Apura estritamente o que te agride,
Prega numa tábua todas as letras,
Conta todas as inúmeras gotas,
Dessas lágrimas ciclónicas, desse sangue
Que detém todos os surtos cativos do meu sopro.
Sugiro-te que vás ao meu esvaziado âmago
E beijes todas as penas que encontrares.
Marca todas as paragens em que te vejas,
Todas as passagens onde não estejas
Cura em mim as tuas mágoas, meus e teus tormentos,
Bane a vida libertina desses fantasmas
Ilumina se quiseres todos os anjos
Lacra todos os medos dessa criatura
Que erra em todas as horas do meu existir
Ler todo texto »
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)
Publicado por malu e colocado em Fugas, Poesia |
9
Janeiro
2009
Crianças também têm intuição.
Quando era menina – e como todas as meninas ingênuas – amei o meu pai de um jeito muito especial e observador.
Logo, chamou-me a atenção a maneira rude com que ele nos falava, e raras vezes, ele sorria sem defesas.
Sempre contava que vinha de uma guerra consigo mesmo, com a vida, e – como soldado – veio da 2ª Guerra Mundial.
Falava – chorando – das tristezas que encontrara no campo de batalha.
Mal sabia ele que eu – ainda com 7 anos de idade – chorava junto com ele, as dores de sua alma (que eram as mesmas dores de outros corações).
Porém, eu também aprendi a sorrir, com meu pai.
Amando-o, descobri, em cada sorriso dos seus lábios, uma lágrima escondida nos olhos.
E, por isso, o sorriso de meu pai tornou-se cada vez mais importante para mim. Quando ele sorria, minha alma rejubilava, e todo o meu Ser sorria junto.
Porque, com o decorrer da vida, descobri que o sorriso de meu pai significava muitas coisas valiosas, que só ele e eu compreendíamos:
– Toda a vez que ele sorria, eu compreendia que o sorriso era um ato de PERDÃO a si mesmo – e ao Mundo – que o envolvera numa guerra fatídica. Ler todo texto »
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Fugas |
8
Janeiro
2009
Venho de um lugar
Onde o simples ato de sorrir
Transforma-se num tesouro
Garimpado
E polido,
- Que dinheiro nenhum pode pagar!
Lá, onde estive,
Aprendi
Que o verdadeiro SORRISO
Guarda um segredo
Que somente poucas pessoas
Conhecem:
- O segredo da Transmutação.
Naquele lugar, onde minha alma ancorou Ler todo texto »
VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)
Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Fugas |