1 Fevereiro 2009

O Homem e a Coruja.

Publicado por Paulo Henrique em Crónica |

Onde você está? Na rua? Ótimo. Agora, vá até a porta vermelha. Está aberta? Então entre. O que você vê lá dentro? Um fogão, uma cama, uma imagem de Gandhi, um livro de Emmanuel Kant? Certo. Vá até o fogão e ligue o gás, depois, produza uma centelha. Você vê fogo, não é? Incrível. Você sabe quem foi Gandhi? Um guru? Um líder? Um pacifista? Foi um advogado. Qual é o livro de Kant? Crítica da Razão Pura? Sabia que Kant nunca foi casado? Engraçado, não é? Tudo que você queria agora era alguém perto de você, para acariciar, beijar, dizer “eu te amo”… não é? Tudo o que os homens de algumas sociedades querem é alguém para criar seus filhos e cuidar da casa. Estranho, não é? Imagina, você tendo um filho… Um outro ser humano… será que ele vai questionar sua existência? Será que ele vai olhar os outros com um olhar superior por ter uma perspectiva de vida que ele considera diferente? Será que ele vai entrar em depressão ao perceber o quão sua existência é medíocre e sem sentido? Será que ele vai nascer com Síndrome de Down? Com câncer? Com um tumor de 7 centímetros na garganta? Pensamentos assim não fazem bem a você, não é? Bom, agora, caminhe em direção a cama e deite-se. Pense em você, na sua vida, no seu “eu” interior. “Eu” interior… você se considera um ser complexo? Um ser superior? Você se considera alguém diferente dos bilhões de seres humanos que habitam este planeta? Você acha que é um ser livre? Você acha que não está preso a dogmas, crenças, valores ou princípios? Provavelmente você é mais um alienado. Até o modo como você formula seus pensamentos foi imposto a você sem seu consentimento. Muito bem… Agora, feche os olhos e durma. Você está dormindo, sonhando. Você está voando! Você está voando com uma flor amarela na mão. Voe em direção a essa flor e tente entrar nela. Entrou? Perfeito. Vê algo diferente? Vê pessoas? O que pessoas fariam dentro de uma flor? Bom, você é uma pessoa, e está dentro de uma flor. O que você faz dentro dessa flor? Procura algo diferente? Bom, não será tão diferente agora. Muito bem. Agora, saia da flor e sente naquela nuvem. Agora, relaxe. Se possível, medite. Isso… medite. Passe horas e horas pensando em não pensar em nada. Ficou chato? Certo, então, saia da nuvem e voe até o elefante mais próximo e pergunte a ele qual o sentido da sua vida. Nascimento, morte, casamento, sexo, cumplicidade, egocentrismo, crença, cultura, culpa, medo, existência, subjetividade, sociedade, sofrimento, sadismo, felicidade, tristeza, depressão, prazer, amor, ódio, etc… ta bom, talvez não tenha sido a melhor resposta, mas é melhor que nada. Procure pensar sobre isso quando tiver tempo. Bom, agora, pare de voar e vá para o chão. O que você vê ao seu redor? Luzes? Cores? Imagens que lhe causam, ao mesmo tempo, medo e bem estar? Corra! Quanto mais você correr, mais perto você chegará daquilo que, subconscientemente, você tanto anseia. A melhor explicação para sua existência? Deus? Isso é sinal de fraqueza e preguiça mental. O que você entende por “mental”? Qual você acha que é o sentido de determinadas formulações? Porque são assim? Porque tem esse nome? Porque tem esse sentido? O que você tanto procura? Você conhece o espaço? O espaço sideral? Conhece as estrelas e os planetas? Pare de correr e voe para lá agora! Leve uma blusa, lá é frio. Já chegou? Olhe, admire. Bem diferente das fotos tiradas por satélite que você está acostumado a ver, não é? Veja as cores, os movimentos, as formas, procure respostas! Muito bem, agora, acorde. Em 10 segundos, reflita sobre sua experiência. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Refletiu? Que conclusões você tira? Esta confuso? Acha abstrato demais? Previsível. Agora, levante-se. Atrás do fogão, vê uma porta amarela? Pois bem, não se aproxime dela! Ao lado da porta que você entrou tem uma chave. Pegue-a. Destranque a porta pela qual você entrou e saia para a rua de novo. Tranque a porta, jogue a chave por debaixo dela, pegue um ônibus e vá para casa!

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Actualmente existe um comentário ao “O Homem e a Coruja.”

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  1. 1 A Fevereiro 28, 2009, SALETI HARTMANN escreveu:

    Olá, Paulo Henrique:

    A sua crônica O HOMEM E A CORUJA é magnífica!
    A gente viajia junto com as palavras, junto
    com os devaneios filosóficos. Apreciei muito,
    a leitura.
    Saleti Hartmann
    Cândido Godói-RS

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