1 Abril 2009

Perseguição

Anoitecera e eu ali, só e encolhido, no interior do apertado esconderijo. Este processo ou acto de fuga, repetira-se nas últimas noites qual dança combinada, qual diálogo frenético entre mim e aquele incansável perseguidor.

Ajoelhado junto dos caixotes, inclino a cabeça para a frente e espreito a diagonal com cuidado, de forma a não revelar a minha presença. Para lá da esquina, na penumbra, o silêncio do corredor estreito deserto quase me convence e me faz certo de tê-lo despistado. Mas não! Não tarda que ouça os seus passos, o trote rápido e caótico. Lá vem ele de novo.

Descubro o vulto, adivinho-lhe os contornos do corpo, as orelhas pontiagudas, os olhos brilhando vorazes na escuridão. Aproxima-se rapidamente, é certo que em poucos segundos estará aqui. Não me vê mas sabe que estarei por perto, de repente, estaca pressentindo-me. E ao fazê-lo, emite os sons. Vários. Altos. Em completo despudor, fazendo assinalar claramente a sua presença.
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Publicado por José Espírito Santo e colocado em Conto | 0 Comentários