20 Agosto 2009

Cobarde

Publicado por canita em Poesia |

És tu
O exemplo que quiseste ser, de pai mais que correcto
Mas esqueceste que eu iria crescer
E perceber que, praticamente tudo o que dizias, era mentira
“Não minto”
Continuas a dizer
E quando ouço essas palavras
Todas as tuas mentiras me surgem na cabeça
Tal e qual um filme no cinema
Não é o facto de teres cometido os erros
Mas sim de não os assumires
E, mesmo confrontado com factos, manténs a tua versão demente
Porque não assumes?
Toda a gente sabe que tiveste uma negra em África
Que muito provavelmente temos lá irmãos
Que a tua hepatite surgiu dessa tua relação
Que bebes

Esses acontecimentos não são grande coisa por si só
Mas os subterfúgios que inventas
O que acreditas piamente ser o melhor a dizer para ocultar a realidade
Tornam-nos colossais
E a bebida
Não seria nada de especial
Se cada gota não afectasse esse teu fígado tão estragado
E, sempre que podes, continuas a matar com vinho
Se não admites que bebes
Quando os teus olhos e tez amarelos te denunciam
Pensas que os outros são parvos
Que acreditam nas tuas mentiras
Nem que a PIDE te torturasse
Assumias a tua fraqueza

Obrigada por me ensinares
A ver quem não devo ser

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