15 Janeiro 2010

Falta”-me”

Falta-me aqui o mar, naquele murmúrio miraculoso e intenso, naquele grito de amor e dor de tantas preces, de tantas promessas a cumprir, de tantos fortes desejos. Faltam-me mais uns dias para te poder ver de novo. Imensidão e paz em que mergulham mortais, farrapos de pó divinos.
Falta-me a vertigem da troca de olhares.
Falta-me o polegar na palma da minha mão, em deslize perfeito, em elíptica que entontece e arrepia.
Falta-me o coração aos pulos entre o instante em que te espero e o momento em que te avisto a chegar. Fica tudo bem, depois. Faltas só tu, que teimas em não chegar.
Falta-me o sorriso rasgado pelas emoções de pele e de alma que se atrasam no relógio de pêndulo que teima em oscilar pouco e em velocidade irregular.

Falta-me só beber uma meia de leite, quentinha, para começar o dia, de novo, com esperança.
Falta-me só um último beijo em forma de poema, se um dia o merecer.

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2 Janeiro 2010

Hoje

Ontem o silêncio persiste e insiste.
E como há palavras que doem, há silêncios que matam.

Ontem o silêncio persiste e insiste,
separa e atormenta,
preocupa.

Ontem o silêncio inflama e derruba
E há palavras que evitei.

Hoje é um novo dia, hoje!
Presença, presente e prenda!

Hoje murmúrio, grito e gemido.

Hoje prece, carinho e sorriso.

Hoje o silêncio não existe,
apenas este som de mar,
e esta certeza que o é bom o dia de Hoje!

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