19
Agosto
2008
Gostava de te agradecer o conto de fadas…
Ficou suspensa. Sem respirar, à espera de um comentário certeiro que acabasse com aquilo de uma vez por todas…
Esperou e esperou…
Ele continuou ao cimo da escada, olhando-a de cima, no seu fato impecável com aquele ar expectante, indecifrável…
Talvez tivesse sido daquela vez no autocarro quando vinham de Serralves…
Sim, tinha sido aí que ele tinha reparado nela…
Ou pelo menos assim ela pensava…
O jardim, o chá…
O passeio…
Eles não tinham conversado, apesar de ele se ter sentado ao lado dela.
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Publicado por Sahaisis e colocado em Conto |
15
Agosto
2008
Não perco tempo a me queixar
Que as coisas podiam ser diferentes
Sinto entusiasmo e quero que a vida
Me auxilie em todas as frentes
Minha energia é inesgotável
Facilmente faço os outros rir
Gozo a vida de forma saudável
Para todos vou sempre sorrir
Meu amor á vida é total
Sendo o presente a mola real
E demais eu não preciso
Cada dia que passa é delícia
Vou vivendo sem malícia
Partilhando sempre o meu Sorriso
Publicado por Jorge Brites e colocado em Conto, Poesia |
1
Julho
2008
A Rainha acordou dum pesar profundo.
Tudo aconteceu tão rápido,
Nem tempo teve para se defender.
A cabeça ainda pesa,
O corpo dormente pede mais um pouco de descanso,
Os ruídos corporais abalam os nervos mais infinos do sistema nervoso.
Tenta abrir os olhos muito lentamente,
Para discernir o que lhe rodeia,
Mas o nevoeiro visual dissipa-se a uma velocidade enervante,
E nada consegue ver.
Em esforço a Rainha agarra com punhos bem fechados a terra
Que se encontra por baixo dela.
Um calor momentâneo fá-la sacudir as mãos desesperadamente,
Apetece gritar mas nem forças tem para tal.
A Terra acabara-lhe de coser as mãos de tão quente que está.
Começa a sentir a temperatura que lhe rodeia,
A terra tornara-se uma caldeira em efusão.
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Publicado por Venctus e colocado em Conto |
27
Maio
2008
Sou um ser de galáxia distante, onde o universo é cor de laranja, o sol é azul e adora desenhar bonitas paisagens e todos os planetas têm telinhas de papel que são responsáveis pela manutenção do feixe de luz que faz todos eles girarem.
Cheguei a Terra no dia 15 de abril de 1879, perseguindo uma abelha de plasma que falou para todas as estrelas vermelhas que eu sempre usava uma agulha para produzir raios.
Chegando a Terra, fiquei tão maravilhado com o carpete vermelho desenhado com caravelas amarelas que estava estendido na porta de um casal de senhores chamados Marx e Durkheim que resolvi ficar.
Apesar de toda a diversão que encontrei na Terra, eu ainda precisava encontrar a maldita abelha de plasma que contara mentiras sobre eu para as estrelas vermelhas.
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Publicado por Paulo Henrique e colocado em Conto |
4
Março
2008
Chove,
Lapsos em lume brando,…
Há água em trombas,
Silêncio de savana,
Desgaste da vida cronometrada,…
Chove,
A queda do anjo cobarde,
Faz-me pensar em lamúrias,…
Sentado à bolina,
No canto do mundo,…
E a chuva a matar,…
Chove,
Olá universo,
Venci-te no abrupto….
Publicado por rodinhas e colocado em Conto, Poesia Gótica |
5
Fevereiro
2008
Nas paredes escuras
da gramática,
respingos de versos,
estilhaços de estrofes
por toda a página,
soluços de um soneto
cuja métrica alexandrina
caída ao lado,
ainda gotejava tercetos
enquanto um forte cheiro
de pólvora e sangue
exalava da caneta de aço
na mão inerte do poeta.
Campo Grande-MS, 02.02.2008 (01:42h)
Publicado por THELMO MATTOS e colocado em Conto, Poesia |
2
Fevereiro
2008
Nunca soube escrever,
Rasante à medíocre animalidade,
Feita vontade de brilhar fora de tempo,
Amasso o que almejo com fulgor,
Mas o fermento, a massa do Olimpo,
Esvai-se em pus pelo canal do ‘quase’,
Haja quem me guie a mão,
E me faça voar nos alíseos da epopeia,
Sinto a cútis a desabrochar camoniana,
O olhar do Elmano vidrado em cristal,
E a eminente certeza de um brilhantismo de fulgor,
Mas,….
Continuo sem saber escrever,
Resta-me a mosca que voa em elipse,
No fulgor de uma morte anunciada…
Publicado por rodinhas e colocado em Conto, Poesia, Poesia Gótica |
30
Dezembro
2007
Eu estava OK. Pelo menos senti que a minha ânsia de viver estava intacta. Não consegui o menos que pretendia para o meu mais.Nem sequer alcancei o outro mais, para fintar o mais ou menos em que estavam os planos de excelência gizados para a vida mediana que almejei.Restou-me a tabela de ‘ses’ que norteia a existência de todos os que se ficam pelo menos.O mais é uma miragem para uma comunidade que se alimenta de mais ou menos, para amenizar a triste realidade do menos adquirido. Pintar um mais no meio de tantos menos, só a custo poderá dar algo positivo.Todos aqueles menos juntos, anulam a força de um tímido mais. Eventualmente, a medo, o mais pisará o menos para, quase de imediato, rebaixar-se à mediocridade. No final, a neutralidade vai imperar.
Publicado por rodinhas e colocado em Conto |
16
Dezembro
2007
Manuel tem 9 anos, não tem Pai nem Mãe, ou melhor, tem Pai e Mãe, mas pode-se afirmar que não os tem.
Pior do que não ter Pai e Mãe é ter Pai e Mãe mas ser abandonado por eles.
É esse o caso do Manuel!
Manuel não vai à escola nem brinca como as outras crianças da sua idade, tem outras preocupações… aprender a Sobreviver.
Um carro velho abandonado e sem portas é já á alguns meses a casa do Manuel, é lá que ele guarda religiosamente todos os seus tesouros.
O Manuel tem poucos tesouros, os que se lhe conhecem são um porta-chaves de plástico com o emblema de um clube de futebol, uma saca com uma dúzia de berlindes partidos, uma lata vazia de um refrigerante que o Manuel nunca provou, uma revista incompleta de banda desenhada, algumas caricas velhas e o seu maior tesouro, um velho canivete com que corta os pedaços de pão duro que por vezes encontra no lixo.
Teve também um gatinho que o acompanhava diariamente, o mesmo gatinho que foi responsável pelo dia mais triste da curta vida do Manuel, o dia em que um grupo de rapazes decidiu afogar o gato acreditando que ele possuía 7 vidas (talvez já tivesse gasto as suas!!!).
Desde então os dias do Manuel são passados numa grande solidão.
Aproxima-se um dos dias em que o Manuel sente mais a solidão e a falta de um Lar, o Natal!
Hoje Manuel acordou cedo, a dor de barriga provocada pela falta de alimento, juntamente com o frio que fez durante a noite, não o deixaram ficar mais tempo deitado no banco traseiro do seu carro-casa.
Levantou-se, bebeu um copo de água para enganar o seu pequeno estômago e pôs-se a caminhar pelas ruas da cidade cheia de gente, a mesma gente que ignora a vida do Manuel.
A cidade está bonita, Manuel acha graça ás luzes e enfeites de Natal que se vê por toda a cidade.
As crianças da sua idade acompanham os pais na compra das últimas prendas de Natal, há sempre algumas que deixam tudo para a última hora, há sempre mais uma prenda para comprar para alguém que aparece de repente!
Manuel já decidiu qual a prenda que vai dar a si próprio, no dia de Natal vai comer aquele rebuçado que guarda no bolso á quase 15 dias, sempre vai ser uma noite diferente, vai poder comer alguma coisa doce!
Manuel continua a caminhada que o leva até ao local onde fez um funeral digno ao seu gatinho, ainda lhe custa recordar esse dia, em que pegou no gatinho a escorrer água e o secou com todo o cuidado á sua velha camisola para o enterrar mais quentinho, tinha sido o seu único verdadeiro amigo, aquele que o acompanhava para todo o lado e que nunca o tinha descriminado… que saudades sentia o Manuel!
Chegado agora ao local onde se encontra o seu amigo, Manuel corta uma pequena flor e coloca-a sobre um pequeno monte de terra saliente, é a prenda de Natal para o seu amigo.
Regressa agora pelas mesmas ruas, caminha apenas por caminhar, não tem pressa para chegar a lugar nenhum, ninguém o espera, por isso não vai chegar atrasado.
Depois de várias horas a caminhar já o dia se encontra a meio e Manuel ainda não comeu nada, observa neste momento uma criança sentada num café a comer uma fatia de bolo e isso recorda-lhe a dor de barriga que reclama por algo quente.
Manuel afasta-se do local e caminha várias horas sem rumo até que a noite surge. Resolve ir para o seu carro-casa e não aguentando mais esperar pelo Natal, decide abrir hoje a sua prenda e comer o rebuçado, a única coisa que o seu estômago iria sentir para além de um copo de água.
E é com o doce sabor a morango que Manuel adormece numa fria noite de Dezembro, a noite que os termómetros registam como a mais fria da última década… a noite em que o Manuel adormeceu abraçado aos seus tesouros para nunca mais acordar.
Publicado por Humberto Morais e colocado em Conto |
14
Outubro
2007
Vejo… Vejo uma bola amarela no horizonte, um ponto indefinido como tal, mas brilha. O que será? Estará certo da sua consciência ou consciente da minha certeza de que se ali encontra?
O Universo muda. Está a mudar. Então só me resta pensar de novo, e pensar que não estás aí. Mas estás? Ou estarás? Ou estiveste? Estarei? Sim. Então tu também estás. Quem és tu, então? Estás a aproximar-te, mas quererás conhecer-me? Não, eu afasto-me. Queres que me aproxime?
a bola aproxima-se
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Publicado por crucius e colocado em Conto |