1 Abril 2009

Perseguição

Anoitecera e eu ali, só e encolhido, no interior do apertado esconderijo. Este processo ou acto de fuga, repetira-se nas últimas noites qual dança combinada, qual diálogo frenético entre mim e aquele incansável perseguidor.

Ajoelhado junto dos caixotes, inclino a cabeça para a frente e espreito a diagonal com cuidado, de forma a não revelar a minha presença. Para lá da esquina, na penumbra, o silêncio do corredor estreito deserto quase me convence e me faz certo de tê-lo despistado. Mas não! Não tarda que ouça os seus passos, o trote rápido e caótico. Lá vem ele de novo.

Descubro o vulto, adivinho-lhe os contornos do corpo, as orelhas pontiagudas, os olhos brilhando vorazes na escuridão. Aproxima-se rapidamente, é certo que em poucos segundos estará aqui. Não me vê mas sabe que estarei por perto, de repente, estaca pressentindo-me. E ao fazê-lo, emite os sons. Vários. Altos. Em completo despudor, fazendo assinalar claramente a sua presença.
Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por José Espírito Santo e colocado em Conto | 0 Comentários

11 Março 2009

Cansado

Cansado, o coração batendo forte. Pela primeira vez ele podia contar as batidas contra seu peito. Da mesma forma que pistoleiros da ficção alegavam fazer. Talvez isto ocorra quando se impunha uma arma. Tal como a que ele tinha nas mãos agora e acabara de usar para disparar contra pessoas pela primeira vez na vida.

Era melhor ele afastar estes pensamentos de sua mente agora, já não bastasse estar velho… É deve ser a idade. Se fosse mais novo não se sentiria tão cansado.

Por outro lado o medo o teria paralisado? Foi por isso que deixou esta idéia maturar ao longo de uma vida sem nunca parar para pensar muito, como numa fantasia impossível, que ele torcia em segredo, a fim de que nunca se realizasse.

Foi a seis meses que ele descobriu pelos médicos que seu câncer atingira um ponto em que não haveria forma de cura, apenas uma esperança de prolongar um pouco sua vida.

Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por cafezal e colocado em Conto | 0 Comentários

13 Dezembro 2008

O querer de um coração é o brilho que os olhos são…

Era uma vez, uma mulher que se chamava Victória. Muito apaixonada pela vida, via no amor sua razão de viver, o sopro necessário para o progresso. Agradecia sempre a Deus pelo privilégio e oportunidade de conviver com almas tão queridas e pelo muito amor que recebia de todas elas também. Não tinha do que reclamar, embora em sua trajetória existisse momento difícil, sempre contou com a sustentação necessária e o amor em dose exata para superar as dificuldades, e os revezes que a vida oferece como uma válvula propulsora de crescimento. Era uma pessoa feliz Victória.

O coração dessa mulher, sempre foi um caminho de difícil acesso e pode-se dizer que poucas foram as pessoas que conseguiram ocupar um espaço dentro dele, só mesmo aquelas que descobrindo o segredo e seguindo o rumo certo conseguiram fazer parte da história de sua vida. Victória sempre teve um coração determinado e por isso nunca mediu esforços para alcançar seus objetivos, não se esquecendo de que às vezes: Querer Não é Poder. Sempre procurou viver intensamente todos os segundos almejados e permitidos, retirando o melhor de todas as horas. Seu coração sempre foi habitado por sentimentos valiosos, e como cada “Jóia” tem seu brilho, cada amor teve seu valor e todos eles serviram de aprendizado pra ela.
Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por Tamaluan e colocado em Conto | 1 Comentário

11 Dezembro 2008

Luto.

Vestida de luto ela estava.  Quando o fantasma foi lhe buscar no leito.  Ele a levava pro seu mundo…  Feito de pó e aranhas que voavam pelos cabelos da menina negros.
Ela acordou em lágrimas quando viu que a terra, gemia sangue de gente.

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por Alexandrine Blume e colocado em Conto | 0 Comentários

27 Novembro 2008

Uma pequena história de paz e de guerra

(Às pessoas simples, que vivem e sonham a PAZ, onde os motivos da violência são desconhecidos. Às vítimas das ideologias).

Depois da devastação, uma calma terrível tomou conta de tudo e de todos. Sem avisar, a guerra viera. E, sem avisar, as pessoas amadas foram pegas de surpresa, no bombardeio da morte.
Lenita olhava ao seu redor, do alto de seus 12 anos de idade, olhava para o pai, para a mãe e os dois irmãos, pedindo, mudamente, uma explicação para tudo aquilo.
O rugido dos tanques e das metralhadoras já estava muito longe, e a família de Lenita veio do outro lado do país, assim que souberam do ataque fratricida à fronteira, onde ficava o sítio das primas, dos tios e da vovó Zelda, que foram mortos por motivos totalmente alheios ao seu dia-a-dia, que era feito de trabalho e de sonhos pacíficos, mas jamais contando com a violência e com uma morte tão terrível.
Lenita ainda lembrava das cartinhas carinhosas que Maria Haidê lhe escrevera, contando sobre as pequenas alegrias do sítio. Olhando ao seu redor, parecia reler mentalmente as cartas da prima:
“- Querida prima Lenita. A vida aqui no sítio está muito calma, mas já sabe que a rotina daqui é bem diferente daquela rotina da cidade grande. Ontem, ainda, a vaca Mocha deu cria a uma linda terneirinha, que vamos chamar de Branca, porque ela é toda branca,com manchas pretas. Ela é linda!”… Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Conto | 0 Comentários

20 Novembro 2008

Rosa…A Ditadura…O Sorvete…

 

Lá pelos idos de 1964 – hoje conhecidos como anos de chumbo – Santa Rosa era uma cidade em pleno florescimento, ainda no início da construção de prédios de pequeno porte, e do calçamento das ruas barrentas, onde, em dias de chuva, acontecia um verdadeiro caos, com os carros usando enormes correntes nas rodas, e os pedestres usando galochas e botas pesadas, para se proteger do clima úmido.
Na rua que passava diante da casa nº 604, da Euclides da Cunha, o calçamento havia sido feito, recentemente. Nesta casa, de estilo italiano, muito alta, e de madeira bem forte, habitava a família barulhenta e alegre do casal de origem alemã, José e Elisabeth, que vieram há pouco tempo de mudança para a cidade, com seus cinco filhos: três meninas e dois meninos. A menorzinha de todos, Rosa, com seis anos de idade, gostava de ficar à janela nos dias de chuva, vendo as pessoas passar com seus guarda-chuvas, e a água rolando nas valetas da rua, formando poças e pequenos riachos cantantes.
A impressão da vida,dizia que tudo era maravilhoso, ainda, pois brincava bastante com seus quatro irmãos, que faziam escadinha na idade: 8, 9 (as meninas) e 10 e 11 anos (os meninos). O pai trabalhava no Banco da cidade, e a mãe cuidava da casa, das crianças, e do orçamento doméstico. Tudo parecia estar no seu devido lugar.
Mas, havia um porém… Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Conto | 0 Comentários

19 Agosto 2008

O casamento

Gostava de te agradecer o conto de fadas…

Ficou suspensa. Sem respirar, à espera de um comentário certeiro que acabasse com aquilo de uma vez por todas…

Esperou e esperou…

Ele continuou ao cimo da escada, olhando-a de cima, no seu fato impecável com aquele ar expectante, indecifrável…

Talvez tivesse sido daquela vez no autocarro quando vinham de Serralves…

Sim, tinha sido aí que ele tinha reparado nela…

Ou pelo menos assim ela pensava…

O jardim, o chá…

O passeio…

Eles não tinham conversado, apesar de ele se ter sentado ao lado dela.
Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por Sahaisis e colocado em Conto | 0 Comentários

15 Agosto 2008

Pedaços do meu sorriso

Não perco tempo a me queixar
Que as coisas podiam ser diferentes
Sinto entusiasmo e quero que a vida
Me auxilie em todas as frentes

Minha energia é inesgotável
Facilmente faço os outros rir
Gozo a vida de forma saudável
Para todos vou sempre sorrir

Meu amor á vida é total
Sendo o presente a mola real
E demais eu não preciso

Cada dia que passa é delícia
Vou vivendo sem malícia
Partilhando sempre o meu Sorriso

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por Jorge Brites e colocado em Conto, Poesia | 2 Comentários

1 Julho 2008

Queda

A Rainha acordou dum pesar profundo.
Tudo aconteceu tão rápido,
Nem tempo teve para se defender.
A cabeça ainda pesa,
O corpo dormente pede mais um pouco de descanso,
Os ruídos corporais abalam os nervos mais infinos do sistema nervoso.

Tenta abrir os olhos muito lentamente,
Para discernir o que lhe rodeia,
Mas o nevoeiro visual dissipa-se a uma velocidade enervante,
E nada consegue ver.
Em esforço a Rainha agarra com punhos bem fechados a terra
Que se encontra por baixo dela.
Um calor momentâneo fá-la sacudir as mãos desesperadamente,
Apetece gritar mas nem forças tem para tal.
A Terra acabara-lhe de coser as mãos de tão quente que está.
Começa a sentir a temperatura que lhe rodeia,
A terra tornara-se uma caldeira em efusão.
Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por Venctus e colocado em Conto | 0 Comentários

27 Maio 2008

Um pequeno colorido.

Sou um ser de galáxia distante, onde o universo é cor de laranja, o sol é azul e adora desenhar bonitas paisagens e todos os planetas têm telinhas de papel que são responsáveis pela manutenção do feixe de luz que faz todos eles girarem.

Cheguei a Terra no dia 15 de abril de 1879, perseguindo uma abelha de plasma que falou para todas as estrelas vermelhas que eu sempre usava uma agulha para produzir raios.

Chegando a Terra, fiquei tão maravilhado com o carpete vermelho desenhado com caravelas amarelas que estava estendido na porta de um casal de senhores chamados Marx e Durkheim que resolvi ficar.

Apesar de toda a diversão que encontrei na Terra, eu ainda precisava encontrar a maldita abelha de plasma que contara mentiras sobre eu para as estrelas vermelhas.
Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por Paulo Henrique e colocado em Conto | 0 Comentários