27 Maio 2008

Um pequeno colorido.

Sou um ser de galáxia distante, onde o universo é cor de laranja, o sol é azul e adora desenhar bonitas paisagens e todos os planetas têm telinhas de papel que são responsáveis pela manutenção do feixe de luz que faz todos eles girarem.

Cheguei a Terra no dia 15 de abril de 1879, perseguindo uma abelha de plasma que falou para todas as estrelas vermelhas que eu sempre usava uma agulha para produzir raios.

Chegando a Terra, fiquei tão maravilhado com o carpete vermelho desenhado com caravelas amarelas que estava estendido na porta de um casal de senhores chamados Marx e Durkheim que resolvi ficar.

Apesar de toda a diversão que encontrei na Terra, eu ainda precisava encontrar a maldita abelha de plasma que contara mentiras sobre eu para as estrelas vermelhas.
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Publicado por Paulo Henrique e colocado em Conto | 0 Comentários

4 Março 2008

Chove

Chove,
Lapsos em lume brando,…

Há água em trombas,
Silêncio de savana,
Desgaste da vida cronometrada,…

Chove,
A queda do anjo cobarde,
Faz-me pensar em lamúrias,…

Sentado à bolina,
No canto do mundo,…

E a chuva a matar,…

Chove,
Olá universo,
Venci-te no abrupto….

Publicado por rodinhas e colocado em Conto, Poesia Gótica | 0 Comentários

5 Fevereiro 2008

Poethanatos 2

Nas paredes escuras
da gramática,
respingos de versos,
estilhaços de estrofes
por toda a página,
soluços de um soneto
cuja métrica alexandrina
caída ao lado,
ainda gotejava tercetos
enquanto um forte cheiro
de pólvora e sangue
exalava da caneta de aço
na mão inerte do poeta.

Campo Grande-MS, 02.02.2008 (01:42h)

Publicado por THELMO MATTOS e colocado em Conto, Poesia | 1 Comentário

2 Fevereiro 2008

Nunca soube escrever…

Nunca soube escrever,
Rasante à medíocre animalidade,
Feita vontade de brilhar fora de tempo,
Amasso o que almejo com fulgor,
Mas o fermento, a massa do Olimpo,
Esvai-se em pus pelo canal do ‘quase’,
Haja quem me guie a mão,
E me faça voar nos alíseos da epopeia,
Sinto a cútis a desabrochar camoniana,
O olhar do Elmano vidrado em cristal,
E a eminente certeza de um brilhantismo de fulgor,
Mas,….
Continuo sem saber escrever,
Resta-me a mosca que voa em elipse,
No fulgor de uma morte anunciada…

Publicado por rodinhas e colocado em Conto, Poesia, Poesia Gótica | 0 Comentários

30 Dezembro 2007

Mais e Menos

Eu estava OK. Pelo menos senti que a minha ânsia de viver estava intacta. Não consegui o menos que pretendia para o meu mais.Nem sequer alcancei o outro mais, para fintar o mais ou menos em que estavam os planos de excelência gizados para a vida mediana que almejei.Restou-me a tabela de ‘ses’ que norteia a existência de todos os que se ficam pelo menos.O mais é uma miragem para uma comunidade que se alimenta de mais ou menos, para amenizar a triste realidade do menos adquirido. Pintar um mais no meio de tantos menos, só a custo poderá dar algo positivo.Todos aqueles menos juntos, anulam a força de um tímido mais. Eventualmente, a medo, o mais pisará o menos para, quase de imediato, rebaixar-se à mediocridade. No final, a neutralidade vai imperar.

Publicado por rodinhas e colocado em Conto | 0 Comentários

16 Dezembro 2007

Manuel

Manuel tem 9 anos, não tem Pai nem Mãe, ou melhor, tem Pai e Mãe, mas pode-se afirmar que não os tem.
Pior do que não ter Pai e Mãe é ter Pai e Mãe mas ser abandonado por eles.
É esse o caso do Manuel!
Manuel não vai à escola nem brinca como as outras crianças da sua idade, tem outras preocupações… aprender a Sobreviver.
Um carro velho abandonado e sem portas é já á alguns meses a casa do Manuel, é lá que ele guarda religiosamente todos os seus tesouros.
O Manuel tem poucos tesouros, os que se lhe conhecem são um porta-chaves de plástico com o emblema de um clube de futebol, uma saca com uma dúzia de berlindes partidos, uma lata vazia de um refrigerante que o Manuel nunca provou, uma revista incompleta de banda desenhada, algumas caricas velhas e o seu maior tesouro, um velho canivete com que corta os pedaços de pão duro que por vezes encontra no lixo.
Teve também um gatinho que o acompanhava diariamente, o mesmo gatinho que foi responsável pelo dia mais triste da curta vida do Manuel, o dia em que um grupo de rapazes decidiu afogar o gato acreditando que ele possuía 7 vidas (talvez já tivesse gasto as suas!!!).
Desde então os dias do Manuel são passados numa grande solidão.
Aproxima-se um dos dias em que o Manuel sente mais a solidão e a falta de um Lar, o Natal!
Hoje Manuel acordou cedo, a dor de barriga provocada pela falta de alimento, juntamente com o frio que fez durante a noite, não o deixaram ficar mais tempo deitado no banco traseiro do seu carro-casa.
Levantou-se, bebeu um copo de água para enganar o seu pequeno estômago e pôs-se a caminhar pelas ruas da cidade cheia de gente, a mesma gente que ignora a vida do Manuel.
A cidade está bonita, Manuel acha graça ás luzes e enfeites de Natal que se vê por toda a cidade.
As crianças da sua idade acompanham os pais na compra das últimas prendas de Natal, há sempre algumas que deixam tudo para a última hora, há sempre mais uma prenda para comprar para alguém que aparece de repente!
Manuel já decidiu qual a prenda que vai dar a si próprio, no dia de Natal vai comer aquele rebuçado que guarda no bolso á quase 15 dias, sempre vai ser uma noite diferente, vai poder comer alguma coisa doce!
Manuel continua a caminhada que o leva até ao local onde fez um funeral digno ao seu gatinho, ainda lhe custa recordar esse dia, em que pegou no gatinho a escorrer água e o secou com todo o cuidado á sua velha camisola para o enterrar mais quentinho, tinha sido o seu único verdadeiro amigo, aquele que o acompanhava para todo o lado e que nunca o tinha descriminado… que saudades sentia o Manuel!
Chegado agora ao local onde se encontra o seu amigo, Manuel corta uma pequena flor e coloca-a sobre um pequeno monte de terra saliente, é a prenda de Natal para o seu amigo.
Regressa agora pelas mesmas ruas, caminha apenas por caminhar, não tem pressa para chegar a lugar nenhum, ninguém o espera, por isso não vai chegar atrasado.
Depois de várias horas a caminhar já o dia se encontra a meio e Manuel ainda não comeu nada, observa neste momento uma criança sentada num café a comer uma fatia de bolo e isso recorda-lhe a dor de barriga que reclama por algo quente.
Manuel afasta-se do local e caminha várias horas sem rumo até que a noite surge. Resolve ir para o seu carro-casa e não aguentando mais esperar pelo Natal, decide abrir hoje a sua prenda e comer o rebuçado, a única coisa que o seu estômago iria sentir para além de um copo de água.
E é com o doce sabor a morango que Manuel adormece numa fria noite de Dezembro, a noite que os termómetros registam como a mais fria da última década… a noite em que o Manuel adormeceu abraçado aos seus tesouros para nunca mais acordar.

Publicado por Humberto Morais e colocado em Conto | 0 Comentários

14 Outubro 2007

A Teoria Amar(ela)

Vejo… Vejo uma bola amarela no horizonte, um ponto indefinido como tal, mas brilha. O que será? Estará certo da sua consciência ou consciente da minha certeza de que se ali encontra?
O Universo muda. Está a mudar. Então só me resta pensar de novo, e pensar que não estás aí. Mas estás? Ou estarás? Ou estiveste? Estarei? Sim. Então tu também estás. Quem és tu, então? Estás a aproximar-te, mas quererás conhecer-me? Não, eu afasto-me. Queres que me aproxime?

a bola aproxima-se
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Publicado por crucius e colocado em Conto | 2 Comentários

26 Setembro 2007

Reencontro…

Aquele era o hotel das suas escapadelas. Não com outras mulheres, porque tinha sempre sido fiel. Era o seu refúgio quando o casamento e os três filhos exigiam demasiado dele. Bastavam-lhe dois ou três dias para que pudesse regressar a rotina dos dias, de todos os dias. Não mentia a mulher, dizia-lhe que ia passar uns dias fora, e agradecia que ela compreendesse. Aliás, era uma rotina que ambos praticavam e que tinha feito com que a união de 15 anos se tornasse mais segura. Mas esta vez tinha algo de diferente. Ela tinha saído de casa dois dias antes. Tinha partido com um olhar estranho. Como se algo estivesse em risco. Eram proibidos os contactos entre eles durante esse período. As regras eram conhecidas. Mas ele não estava a aguentar ficar em casa com esta incerteza. Pediu então à mãe que tomasse conta dos netos por uns dias e partiu para o seu hotel. Precisava de um certo sossego para pensar no seu futuro. No futuro deles.
Chegou ao início da tarde. Em Setembro o calor ameno, sem vento, convidava mesmo a uns dias de ferias. O gerente, velho conhecido, saudou-o com o sorriso de quem vê chegar um amigo.
- Quer o quarto do costume, senhor doutor?
- Já me conhece. Sou uma criatura de hábitos.
- Nunca se sabe o futuro. – retorquiu o homem atrás do balcão.

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Publicado por Francisco del Mundo e colocado em Conto | 2 Comentários

19 Setembro 2007

O Homem da Flauta

Durante a minha ida ao norte onde fui passar o Songkrang, ano novo tailandês, como habitualmente fico na casa da mãe de minha companheira na aldeia de Ban Mea Long, uma pequena povoação situada a cerca de 18 quilómetros da cidade de Lampang. Desta vez, no ano de 2006, tivemos mais tempo para podermos visitar mais mosteiros budistas, nesta altura do ano a abarrotar de fiéis, mas um local que sempre visito é o muito concorrido mercado Kad Tung Kwiang, que se situa à berma da auto-estrada que liga a cidade de Lampang à capital do norte Chiang Mai.

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Publicado por toi cambeta e colocado em Conto | 0 Comentários

4 Setembro 2007

Biblioteca

sou biblioteca de livros valiosos e antigos
encontras aqui muitas histórias
fantasia, aventuras, amor e perigos
desabafos, diários e memórias.
respiro o amor e o sofrimento dos poetas e trovadores
partilho as suas conquistas e as suas dores
Carrego em mim sonhos de infância
e das mais nobres senhoras a sua elegância
retractada na sua escrita elegante e fina
mas com um coração que por amor desafina.
Sou dono de segredos, amores proibidos e traições
editor de livros e canções.
Não me sinto envelhecido ao contrário do que me acusam
esses de agora que não me ligam e só de mim abusam
Podem passar mil dias, mil anos, mil séculos
que os meus livros nunca se tornarão obséquios
não são somente livros que trago em mim
e por isso esta minha revolta, e o meu motim
são pessoas! Pessoas! Não podem ignorar
os seus sentimentos, o seu pesar
Pois elas mostraram a Vida no seu real esplendor
e sendo assim todos os livros merecem o vosso louvor.

Publicado por lastprophet e colocado em Conto | 0 Comentários