9
Setembro
2009
Enterrei a dor do meu coração,
o que não quer dizer que não passe o tempo a emergir.
Apaguei a tristeza dos meus olhos,
o que não quer dizer que não chorem a toda a hora.
Escolhi as boas recordações de nós,
o que não quer dizer que não teimem em dissipar-se.
Recuperei as palavras doces de tua boca,
o que não quer dizer que não me continuem negadas.
Reconstrui o toque imortal das tuas mãos,
o que não quer dizer que não passe de ilusão perdida.
Provei o sabor imutável dos teus lábios,
o que não quer dizer que não passem de avidez imerecida.
Guardei o abraço dos teus sentidos,
o que não quer dizer que não passe de saudade inútil.
Soltei o espírito e a alma do meu canto,
o que não quer dizer que não vagueiem por todos os cantos.
Entreguei o meu amor incondicionalmente,
o que não quer dizer que não reclame ainda a devolução. Ler todo texto »
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1
Maio
2009
Nem sempre somos capazes de perceber o outro,
mas quase sempre somos capazes de lhe dizer coisas que o podem magoar.
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Publicado por aifos e colocado em Fugas |
20
Março
2009
Assalta-me a ideia essa tua marca
Como em relevo no meu existir
Não sei porquê, não quero que saia
Só anseio pra que não doa…
Quero-te em mim sim, mas não assim
Quero-te sem lágrimas e sem culpa
Sem isso que parece desespero
Sem isso a que chamam de medo
Não peço mais elasticidade ao meu corpo
Nem mais orientação aos meus passos
Mas falta-me esse espaço entre mim e ti
Desloca-se o meu coração entre fora e dentro
E ando e desando sem sair do mesmo
Sem poder correr sem medo de se soltar
Esse laço que deslaça sempre que te afastas
E repetes que estás mais perto que nunca Ler todo texto »
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17
Março
2009
Estou outra vez suspensa
Na presença e na ausência
De todos os sentimentos
Que me agitam
Que me estancam
Desprendi-me de mim
Desuni-me de ti
Estou outra vez ferida
Em côma profundo
De todas as dores
Que me abatem
Que me restauram
Imobilizei meu juízo
Congelei o meu saber
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13
Março
2009
Tantas contendas, tremendamente fechadas
Tantos dias carregados de prosas amargas
Não me roubes a bravura de chegar ao fim
Quero paz, amor, quero atracar em ti
Tanto encalço e não declaras a sentença
Tanto juízo e mais esteios para deixar
O que é nosso, e resiste a cada aterrar
Tanta distância transmutada em medo
Tanto trânsito a palmilhar e achegar
Nesse nó que apega e preenche o sentir
Não escoro mais mutismos escusos
Feridas, do desmaio ao gesto agredido
Quero olhar para ti e ver o sol a entrar
Quero o amor que te sei no coração
Tamanho e tão demovido que arrefece a crença
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11
Março
2009
Há uma coisa
Que não se chama nada
Apenas vive e resiste
Dentro e fora de nós
Pode ser querença
Mas não se deixa sentir
Pode ser castigo
Mas não se deixa culpar
Pode-se contestar
Mas não se deixa acontecer
Pode se diminuir
Mas não se deixa crescer
Pode se conter
Mas não se deixa aliviar Ler todo texto »
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Publicado por malu e colocado em Fugas, Poesia |
1
Fevereiro
2009
As palavras fluem do coração
Pela caneta vão deslizando
São portadoras da nossa emoção
Que pelo papel vão derramando
O que dentro de nós irradia
E que na escrita transcrevemos
Oferece ás palavras magia
Mostra tudo aquilo que temos
E acaba de nascer assim
O gosto que entranha em mim
De humildemente aos amigos escrever
Dão-me força para continuar
E ânimo para partilhar
Tudo com vocês com prazer
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28
Janeiro
2009
Meu amigo e conselheiro
Só tu sabes o que ninguém conhece
Cada dia quando amanhece
Te tornas o meu companheiro
Só tu me fazes correr
Voar longe e sonhar
Sentir o que é amar
Nunca páras de bater
Fazes-me sorrir e chorar
Posso em ti confiar
Doce amigo fiel irmão
És o refúgio que não desaparece
De manhã até que anoitece
És sempre o meu coração
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Publicado por Jorge Brites e colocado em Fugas |
10
Janeiro
2009
Sugiro-te que vás ao meu amargo coração
E decifres a raiz das palavras galopantes, que doem como razão.
Guarda sem vãs resistências todas as sensações, apegos, desvios,
Presencia os latejos descompassados,
Apura estritamente o que te agride,
Prega numa tábua todas as letras,
Conta todas as inúmeras gotas,
Dessas lágrimas ciclónicas, desse sangue
Que detém todos os surtos cativos do meu sopro.
Sugiro-te que vás ao meu esvaziado âmago
E beijes todas as penas que encontrares.
Marca todas as paragens em que te vejas,
Todas as passagens onde não estejas
Cura em mim as tuas mágoas, meus e teus tormentos,
Bane a vida libertina desses fantasmas
Ilumina se quiseres todos os anjos
Lacra todos os medos dessa criatura
Que erra em todas as horas do meu existir
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Publicado por malu e colocado em Fugas, Poesia |
9
Janeiro
2009
Crianças também têm intuição.
Quando era menina – e como todas as meninas ingênuas – amei o meu pai de um jeito muito especial e observador.
Logo, chamou-me a atenção a maneira rude com que ele nos falava, e raras vezes, ele sorria sem defesas.
Sempre contava que vinha de uma guerra consigo mesmo, com a vida, e – como soldado – veio da 2ª Guerra Mundial.
Falava – chorando – das tristezas que encontrara no campo de batalha.
Mal sabia ele que eu – ainda com 7 anos de idade – chorava junto com ele, as dores de sua alma (que eram as mesmas dores de outros corações).
Porém, eu também aprendi a sorrir, com meu pai.
Amando-o, descobri, em cada sorriso dos seus lábios, uma lágrima escondida nos olhos.
E, por isso, o sorriso de meu pai tornou-se cada vez mais importante para mim. Quando ele sorria, minha alma rejubilava, e todo o meu Ser sorria junto.
Porque, com o decorrer da vida, descobri que o sorriso de meu pai significava muitas coisas valiosas, que só ele e eu compreendíamos:
– Toda a vez que ele sorria, eu compreendia que o sorriso era um ato de PERDÃO a si mesmo – e ao Mundo – que o envolvera numa guerra fatídica. Ler todo texto »
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Publicado por SALETI HARTMANN e colocado em Fugas |