2 Março 2008

Flagelação

Feliz com a tristeza abaulada,
Patética figura à minha pele,…

Em decepção crescente,
Até já sou pato,
No sentido de arroz de alma,…

Folículos em chaga,
Vejo-os às refeições,
E troco-os com a sorte,…

Um dia de menina sensível,
E o dia a desmaiar,…

Uma tarde a petizar,
Com a noite rejubilante,…

Durmo para o lado único,
Flagelação….

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1 Março 2008

Acaso suicida

De milhões de arco-iris desfeitos,
Prendeu-se o acaso suicida,
A sorrir para o lamento,
A sorver o sorriso,
E a dançar comigo,…

Felizarda utopia,
A nascer em remanssos,
Na bruma da auto-alienação,…

Agora, é o nada doce,
O faz de conta salgado,
A função mínima do ser obscuro,…

Escreve,
Arrota letras,
Vive dejecto.
Resta-te o possível,
Feito aparição…

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2 Fevereiro 2008

Nunca soube escrever…

Nunca soube escrever,
Rasante à medíocre animalidade,
Feita vontade de brilhar fora de tempo,
Amasso o que almejo com fulgor,
Mas o fermento, a massa do Olimpo,
Esvai-se em pus pelo canal do ‘quase’,
Haja quem me guie a mão,
E me faça voar nos alíseos da epopeia,
Sinto a cútis a desabrochar camoniana,
O olhar do Elmano vidrado em cristal,
E a eminente certeza de um brilhantismo de fulgor,
Mas,….
Continuo sem saber escrever,
Resta-me a mosca que voa em elipse,
No fulgor de uma morte anunciada…

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3 Janeiro 2008

Sou

Sou pequeno e feio,
E bato o pé em compasso,…
…, para afastar o frustrante.
Abro o peito ao indizível,
Porque espero a lata do tempo,
E o gingar do ridículo.
Além, estou eu em prantos,
Aquém, o que escrevo a bolsar,
Diminuído nos meus propósitos,
A fazer o menos porque odeio o mais…

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2 Janeiro 2008

Monóxido de Carbono

Odeio a poesia como forma,…
A envolver o curto sentir de,…
…, quem se apouca face ao medo.
Que se combata o fluir de ideias,
Abrace-se a negatividade do silêncio,
Detesto a pequenez de um verso,
No domínio do astral, que seja um grão,
Falando de felicidade, é nada,
Abomino rimas. Mortas por asfixia,…
…, sentencio do alto da passividade.
Odeio a poesia como abstracto,
Clara só mesmo a ignorância,
Dura, sempre a pequenez de sentimentos,
Abri os olhos para a vida, e descobri,…
Que adoro a poesia como oxigénio,…
Morte ao monóxido de carbono do concreto….

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29 Dezembro 2007

Cães do Inferno

Carcaça da morte, sabes bem!!!
A fome que sinto é tanta,…
E a tristeza que a minha alma contém,
Até os cães do inferno espanta.

Eu já fui bom, mas não me consigo lembrar quando…

O fluido de um fracasso corre selvagem,
Perdi o barco do sucesso garantido,
Ouve como os leões rugem,
E eu me acomodo, de espírito contido.

Corre o rio da vida, e eu deixei partir a jangada do amor…

Pinto o quadro só de memória,
Sublinho a vivacidade dos vermelhos,
Os desmaios do âmago da minha história,
Não se refazem só com os teus conselhos.
Parte, e não olhes para trás.

O paraíso é melhor que a perdição do falhanço….

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19 Dezembro 2007

Amor e dor

Até no amor reside a dor.
Sei que sim, afirmo.
Sinto.
Profundo.
O amor.
Profunda.
A dor.
E não é masoquismo.
E não é loucura.
É uma tanto de um e um tanto do outro.
Quase sendo um o reverso do outro.
Mas não.
Nesta sina, nesta morada.
Os dois.
E a alegria do amor e da dor.

Publicado por Marinheiro e colocado em Poesia, Poesia Gótica | 0 Comentários

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10 Dezembro 2007

Lembrança oclusa

I

A angústia me consome
Esperança não há mais
Pernas trémulas sentem,
Inunda-me de desespero
O vento no meu peito tocar
Ela grita, voz vibrante n’alma

II

Atado, pelo medo…
Chuva escorre os cabelos
Onde olhar? Não há horizonte
Relâmpagos tomam os céus
Vou-me para July, tocá-la
A última noite de julho

III

Cabisbaixo para a morte
Tenho de aceitá-la, venha!
És única certeza que conquisto
Não devolvo lâminas.
Pois as levo comigo. Vou longe.
Talvez não conto-lhe o retorno.

Publicado por Rafael Daguis e colocado em Poesia Gótica | 0 Comentários

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11 Novembro 2007

Essência (me)

I

Ontem ao querer-te, já era hoje.
E no hoje que se finda, no amanhã te quero.
O desejo, esse, era deter-te, reter-te e perder-te.
Mas nunca esquecer-te.

*** Ler todo texto »

Publicado por Catarina Silva e colocado em Poesia Gótica | 2 Comentários

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3 Novembro 2007

Uma Manhã de Outono

Acordo no vazio de ti.
Espera-me lá fora um dia cinzento de Outono.

Um dia a somar ao tempo usado.
Um dia a subtrair ao tempo a usar.

A chuva bate na vidraça,
Enquanto o vento embala as folhas em descidas vertiginosas.
Abro a porta, subo a gola do casaco…
Saio para a rua e abraço mais um dia.

Sinto que na partida continuas presente.

Publicado por Humberto Morais e colocado em Poesia Gótica | 0 Comentários

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