4
Março
2008
Chove,
Lapsos em lume brando,…
Há água em trombas,
Silêncio de savana,
Desgaste da vida cronometrada,…
Chove,
A queda do anjo cobarde,
Faz-me pensar em lamúrias,…
Sentado à bolina,
No canto do mundo,…
E a chuva a matar,…
Chove,
Olá universo,
Venci-te no abrupto….
Publicado por rodinhas e colocado em Conto, Poesia Gótica |
3
Março
2008
Sentado a ver o mar, esperei…
Uma onda chega, uma onda vai,
Contei, lentamente, esperando que o tempo…
Passasse rapidamente,
E que tu chegasses, meu amor.
Olhando o horizonte que abraça o céu,
Fiquei… flutuando na maresia,
Que envolvia o meu ser…
Esperei por ti, pelo gesto, pelo toque…
Por aquele sabor, único, de um beijo,
A boca secou, nesta ausência que tardou.
Fiquei ali, parado, só, olhando o mar…
Dia longo, dia sem fim…
Numa angústia que me roubava o calor do peito,
Senti o coração a bater, batia fortemente…
Ritmos acelerados, numa loucura que me invade…
Mas tu… afinal não chegaste.
O dia fez-se noite,
A noite chegou, com o seu véu negro que me gelou…
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Publicado por Luis F e colocado em Poesia, Poesia Gótica |
3
Março
2008
Poesia a cair,
Esfíncter a doer,
Deboche,…
No azimute de um velho,
a confessar,
a um padre assassino,
que comeu a alma ao vento…
Poesia em descrédito,
Verte o escroto do diabo,
Em risos mudos…
Poesia comedida,
É o ridículo do rabisco,
Que deriva à bolina…
Poesia que eu odeio,
Tanto desprezo,
Diluído em sopa de morte,…
Publicado por rodinhas e colocado em Poesia Gótica |
2
Março
2008
Feliz com a tristeza abaulada,
Patética figura à minha pele,…
Em decepção crescente,
Até já sou pato,
No sentido de arroz de alma,…
Folículos em chaga,
Vejo-os às refeições,
E troco-os com a sorte,…
Um dia de menina sensível,
E o dia a desmaiar,…
Uma tarde a petizar,
Com a noite rejubilante,…
Durmo para o lado único,
Flagelação….
Publicado por rodinhas e colocado em Poesia Gótica |
1
Março
2008
De milhões de arco-iris desfeitos,
Prendeu-se o acaso suicida,
A sorrir para o lamento,
A sorver o sorriso,
E a dançar comigo,…
Felizarda utopia,
A nascer em remanssos,
Na bruma da auto-alienação,…
Agora, é o nada doce,
O faz de conta salgado,
A função mínima do ser obscuro,…
Escreve,
Arrota letras,
Vive dejecto.
Resta-te o possível,
Feito aparição…
Publicado por rodinhas e colocado em Poesia Gótica |
2
Fevereiro
2008
Nunca soube escrever,
Rasante à medíocre animalidade,
Feita vontade de brilhar fora de tempo,
Amasso o que almejo com fulgor,
Mas o fermento, a massa do Olimpo,
Esvai-se em pus pelo canal do ‘quase’,
Haja quem me guie a mão,
E me faça voar nos alíseos da epopeia,
Sinto a cútis a desabrochar camoniana,
O olhar do Elmano vidrado em cristal,
E a eminente certeza de um brilhantismo de fulgor,
Mas,….
Continuo sem saber escrever,
Resta-me a mosca que voa em elipse,
No fulgor de uma morte anunciada…
Publicado por rodinhas e colocado em Conto, Poesia, Poesia Gótica |
3
Janeiro
2008
Sou pequeno e feio,
E bato o pé em compasso,…
…, para afastar o frustrante.
Abro o peito ao indizível,
Porque espero a lata do tempo,
E o gingar do ridículo.
Além, estou eu em prantos,
Aquém, o que escrevo a bolsar,
Diminuído nos meus propósitos,
A fazer o menos porque odeio o mais…
Publicado por rodinhas e colocado em Poesia Gótica |
2
Janeiro
2008
Odeio a poesia como forma,…
A envolver o curto sentir de,…
…, quem se apouca face ao medo.
Que se combata o fluir de ideias,
Abrace-se a negatividade do silêncio,
Detesto a pequenez de um verso,
No domínio do astral, que seja um grão,
Falando de felicidade, é nada,
Abomino rimas. Mortas por asfixia,…
…, sentencio do alto da passividade.
Odeio a poesia como abstracto,
Clara só mesmo a ignorância,
Dura, sempre a pequenez de sentimentos,
Abri os olhos para a vida, e descobri,…
Que adoro a poesia como oxigénio,…
Morte ao monóxido de carbono do concreto….
Publicado por rodinhas e colocado em Poesia Gótica |
29
Dezembro
2007
Carcaça da morte, sabes bem!!!
A fome que sinto é tanta,…
E a tristeza que a minha alma contém,
Até os cães do inferno espanta.
Eu já fui bom, mas não me consigo lembrar quando…
O fluido de um fracasso corre selvagem,
Perdi o barco do sucesso garantido,
Ouve como os leões rugem,
E eu me acomodo, de espírito contido.
Corre o rio da vida, e eu deixei partir a jangada do amor…
Pinto o quadro só de memória,
Sublinho a vivacidade dos vermelhos,
Os desmaios do âmago da minha história,
Não se refazem só com os teus conselhos.
Parte, e não olhes para trás.
O paraíso é melhor que a perdição do falhanço….
Publicado por rodinhas e colocado em Poesia Gótica |
19
Dezembro
2007
Até no amor reside a dor.
Sei que sim, afirmo.
Sinto.
Profundo.
O amor.
Profunda.
A dor.
E não é masoquismo.
E não é loucura.
É uma tanto de um e um tanto do outro.
Quase sendo um o reverso do outro.
Mas não.
Nesta sina, nesta morada.
Os dois.
E a alegria do amor e da dor.
Publicado por Marinheiro e colocado em Poesia, Poesia Gótica |