10 Dezembro 2007

Lembrança oclusa

I

A angústia me consome
Esperança não há mais
Pernas trémulas sentem,
Inunda-me de desespero
O vento no meu peito tocar
Ela grita, voz vibrante n’alma

II

Atado, pelo medo…
Chuva escorre os cabelos
Onde olhar? Não há horizonte
Relâmpagos tomam os céus
Vou-me para July, tocá-la
A última noite de julho

III

Cabisbaixo para a morte
Tenho de aceitá-la, venha!
És única certeza que conquisto
Não devolvo lâminas.
Pois as levo comigo. Vou longe.
Talvez não conto-lhe o retorno.

Publicado por R. e colocado em Poesia Gótica | 0 Comentários

11 Novembro 2007

Essência (me)

I

Ontem ao querer-te, já era hoje.
E no hoje que se finda, no amanhã te quero.
O desejo, esse, era deter-te, reter-te e perder-te.
Mas nunca esquecer-te.

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Publicado por Catarina Silva e colocado em Poesia Gótica | 2 Comentários

3 Novembro 2007

Uma Manhã de Outono

Acordo no vazio de ti.
Espera-me lá fora um dia cinzento de Outono.

Um dia a somar ao tempo usado.
Um dia a subtrair ao tempo a usar.

A chuva bate na vidraça,
Enquanto o vento embala as folhas em descidas vertiginosas.
Abro a porta, subo a gola do casaco…
Saio para a rua e abraço mais um dia.

Sinto que na partida continuas presente.

Publicado por Humberto Morais e colocado em Poesia Gótica | 0 Comentários

21 Julho 2007

Visão

Estou longe… estou ausente,
Onde me encontro tudo desabou.
A escuridão venceu e a Luz apagou
A vela que ilumina o presente.

Sinto o frio na Alma descendente
A gelar o sangue que coagulou.
Num desespero o tempo parou
E pede auxilio… um auxilio premente.

Tudo está em extrema ruína,
Em acelerado estado de decomposição,
Um doce cheiro nauseabundo.

Vejo… sim, vejo uma ponte fina.
Fecho os olhos e aperto a mão,
Abro os braços e abandono este mundo.

Publicado por Humberto Morais e colocado em Poesia Gótica | 1 Comentário

7 Julho 2007

morte sem luar

duas gotas de sangue
como duas lágrimas
como duas almas
em queda de abismo
que se diluem na terra suja
que se desfazem na terra pútrida
que se desgarram e se perdem da vida
duas gotas de sangue que se apagam
teus dois olhos que se cerraram para sempre
morreste-me numa noite sem alvorada.

Publicado por Marinheiro e colocado em Poesia Gótica | 0 Comentários