10 Outubro 2008

“poucas palavras”

Poucas palavras me vêm à memória,
quando tento escrever sobre como é bom dividir sorrisos!

Sou assim, por mais que tente, não consigo descrever com exactidão
as sensações arrebatadoras que transporto no peito,
que vivo e relembro em noite de Outono.

Poucas palavras conseguem descrever
aquilo que sinto quando te olho nos olhos!

Sou assim, adoro as palavras, e nessa altura em que as de via usar com mestria,
fico em silêncio, ruborizada, de mãos subitamente gélidas, e coração na boca.

Poucas palavras entre cada batimento cardíaco,
quando tento compor o poema que vejo no brilho de um olhar sedutor.

Sou assim, por mais que tente, não consigo dizer dizer-te com entusiasmo supremo,
o quanto é bom estar de mãos dadas contigo nesta noite.

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 0 Comentários

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8 Setembro 2008

Primeiro Beijo

Corre o tempo e passa a altura certa do teu primeiro beijo.

Avalanche de sensações e emoções,
poesia em notas de viola e matemática de estrelas cadentes e constelações.

Corre o tempo e ainda agora parti e já tenho saudades tuas.

Escreve com sangue e suor.
Beija com paixão e calor
Agarra o momento de outrora,
agora,
nesse suspiro do teu primeiro beijo.

Corre e salta a gritar a todo o mundo,
coração em frenesim,
magia no toque e no cheiro, na pertença e doença de amar
como da primeira vez.

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 2 Comentários

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6 Agosto 2008

Fotografia

Hoje a fotografia não podia ser outra.
Uma ponte.
A ponte entre duas margens.
A ponte entre dois intervalos de riso e gargalhadas,
A ponte entre duas pessoas que teimam em não se amar.

Hoje a fotografia não podia ser outra.
Um sorriso.
Um sorriso meigo.
Um sorriso de covinhas no rosto,
Um sorriso com restos de açúcar do gelado que partilhámos.

Hoje a fotografia não podia ser outra.
Um azul do céu sereno.
Um céu estrelado,
Uma estrela cadente ao sopro de um desejo.

Hoje a fotografia não podia ser outra:
Um gesto de carinho para te ver sorrir!

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 4 Comentários

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3 Agosto 2008

O significado das flores

É sempre posterior a um momento que é possível compreendê-lo melhor. Eu a levei até o aeroporto como se a estivesse levando ao cinema, para ver um filme que havíamos escolhido em conjunto, ambos excitados com o que este filme poderia nos trazer, premeditando argumentos, situações, possibilidades de um filme que ainda está sendo escrito, dirigido e editado.

E assim a deixei, na cena da despedida, que seria precedida por um jogo na televisão, uma carne na brasa e cachaça na mão. Eu já havia treinado muito pra estes tipos de despedidas. Crescera com pessoas que vinham passar um tempo por aqui, sabendo que um dia retornariam ao lugar de onde vieram. Amigos que moram em diversos cantos do mundo, e que durante suas passagens, proporcionaram momentos únicos, impagáveis. O pacto era sempre o mesmo, aproveitar o momento e na hora do “adeus”, substituí-lo por um simples “até amanhã”. Como se esta expressão tivesse a capacidade de congelar nossas mútuas impressões, deixando-as intactas pelo tempo, trazendo um conforto na despedida. No novo encontro é que o amanhã chegava, belo e límpido, como o primeiro raio de sol a atingir a face de um girassol.

O que eu não podia imaginar é que um dia esse “até amanhã” não teria o mesmo significado. Em vez de querer preservar nossas mútuas impressões do tempo, quisesse desdobrar o espaço. Os laços que criamos de onde viemos pudessem ser adicionados ao nosso que nos enlaçamos, e que neste novo laço a gente pudesse tocar nossos laços individuais onde quer que estejamos.

Indiretamente ela me pergunta se há alguma coisa mais importante que as flores.

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Publicado por Psi-cotico e colocado em Prosa Poética | 1 Comentário

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20 Junho 2008

Uma questão de fé?

A vela arde, inocentemente.
Nela todas as dúvidas, todos os porquês, todas as derrotas
Nela todas as angústias, todos os sentimentos de vazio e de amargo fel
Nela todas as preces.

A vela arde, inocentemente,
com ela ardem os pecados e não os pecadores,
com ela ardem os palavrões que a vida nos faz dizer,
com ela ardem os obstáculos, acreditamos.

A vela arde, inocentemente.
Fé dos Homens
Fé dos mortais
Fé dos demais que não acreditando a acendem e pedem por nós.

A vela arde, a cera cai e acompanha a lágrima.
A chama cresce,
a fé não morre…

A vela é tão somente tudo isso e mais
uma luz que embala e sorri!

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 3 Comentários

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9 Junho 2008

Atlântida…

Dizem-me nas histórias que em tempos idos havia um pequeno rapaz. Dizem-me também que nas histórias o pequeno rapaz tinha um negro manto, tão negro como a mais negra das noites de Inverno, onde as nuvens conspiram para descargas mil sobre a Terra azul que as fita, preocupada. Na preocupação não vê as pedras da calçada que se esculpem de bengalas velozes e pesadas, que gemem com a vida dos seus superiores voando a cada passo rumo ao infinito que os espera, num lufa-lufa de cor e alegria. Deprimida. Reprimida. Ida. Ira.
Cai cada gota como uma pedra pintada, um sopro recheado advindo do âmago feroz do Deus profundo do topo do Mundo, do Universo estrelado, do abraço pungente e circundante de além daqui. E daqui além nasce uma criança, um bebé rasgado ao ventre triste e violado de uma virgem de pano e papelão. Cai o sol que a iluminou, mais a lua das noites de verão e azul onde os sonhos são realidade fátua e inebriante e que se vão como incenso perfumado ou um traço de avião, que cruza os céus como quem circumnavega a esfera armilar e à proa se espraia e grita, a plenos pulmões, que a terra é sua… como se dele fosse. Como se dele fosse mais do que um rectângulo inerte, um prospecto em branco, uma vela apagada, um ninho vazio.
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Publicado por crucius e colocado em Prosa Poética | 7 Comentários

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29 Maio 2008

(im)Perfeição

Não há toque de lábios tão perfeito
nem toque de mãos,
corações acelerados em compasso perfeito.

Não há sequer outro momento como este,
doce e terno olhar depois do fogo ardente
em suor e desejo.

Não há toque de lábios tão perfeito
nem sabor assim,
sereno em pauta inacabada.

Não há sequer outro momento assim,
porque a perfeição está no olhar e no sentir,
e na posição perfeita desta lua cheia!

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 3 Comentários

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26 Maio 2008

bailados de deus e do diabo

A chuva é maravilhosa. Lava a lama das estradas, rega os faustosos jardins, apaga os brilhantes fogos de uma guerra distante. Marte, no topo do seu trono, olha-nos com um suspiro. Olha para o lado, Vénus ainda não se levantou e Zeus lava os dentes. Nos seus escritos amaldiçoa. Amaldiçoou-nos, amaldiçoou-os. Desespera com cada aurora alada, cada milímetro do seu corpo a estremecer de raiva e fúria. O martelo está na mesa, inerte, gigante, pesado. Na sua dureza é frágil como um vidro, doce com um corvo que sente a falta de sua mãe e que não abandona por nada o seu ninho. É irónico, sarcástico, refugiado assim nos meandros da mente farta, desolada. É Rei sem reino, príncipe regente sem futuro. E sonha com o luar, com os corpos nus das suas musas de outrora, dos suores pungentes da vida feliz, pura na sua entrega animalesca. É Deus, é poderoso. É um pequeno gatinho a quem deram armas e escudos, sem saber como os usar. Aceita. Sempre quis mais do que si próprio, uma superação imensa e brutal que demanda mais de si que a busca do Graal, bebedouro dos pobres, alimento de gerações, ouro, jóias, rubis dos ricos e dos velhos. Não sou quem pensei ser. Nunca quis ser assim. Fui amado a cada dia da minha vida, que brotara como colorida e bela flor num infinito jardim, que acabou. E com ele…
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Publicado por crucius e colocado em Prosa Poética | 1 Comentário

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29 Abril 2008

Sedução

Tens o dom de seduzir
esse teu jeito de caminhar
esse teu jeito de tocar na pele morena do corpo suado
esse teu jeito de percorrer a linha imperfeita do ombro quase nu.

Tens o dom de seduzir
esse charme só teu
esse perfume tão meu!

Tens o dom de seduzir
na doce palavra escrita
na inacabada palavra proferida
no lume intenso do teu beijo!

Tens o dom de seduzir!

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19 Abril 2008

Imagina

Imagina o brilho do olhar
e o desenho dos lábios na perfeição de um sussurro,
de uma promessa sábia,
do toque… um beijo.

Imagina a estrela cadente
e o desenho do mar de mãos dadas com o céu,
luar de verão,
carícia,
palpitação,
delícia… um beijo.

Imagina o anoitecer debaixo do mesmo céu,
os pedidos secretos às estrelas cintilantes que só agora vejo porque estou contigo.
Um abraço forte,
carinhosamente fujo, carinhosamente me entrego… no teu beijo.

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética | 0 Comentários

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