30 Dezembro 2008

Possível[mente]

Possivelmente perdi a mão para escrita.
Hoje não volto a escrever com a mesma fluidez, a mesma fluência. Não volto a conseguir pôr no papel aquilo que realmente me toca, o modo como me toca e faz do meu corpo vertigem. Possivelmente não passou tudo de um devaneio febril, um delírio de breves instantes ou um único momento demorado entre lágrimas, borrão de tinta e folha amachucada. Possivelmente perdi a mão para te escrever com alma e coração e esta era a única maneira de ser maior do que a minha insignificância.

Hoje voltaste a ver-me, mas não reconheceste o meu rosto.
Hoje também eu não me reconheço em frente a este papel em branco, ou talvez reconheça, agora, o que posso ser sem ele.

Possivelmente tão maior do que pensava.

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por aifos e colocado em Prosa Poética, Romance | 0 Comentários

27 Novembro 2008

Tão perto

Vejo-te ao longe. Tu não me vês.
 Vens. Caminhas na minha direcção sem dares conta que ali estou. Espero-te. Ao aproximares-te, cresce aquele arrepio, fico paralisada, não consigo pensar. Aproximaste mais um pouco. Muitas imagens me passam pela cabeça. Aquela vontade de te ter. Aquela vontade de te falar. Aquela vontade de ficar a olhar para ti. Aquela vontade de querer e não poder.
 Vagueio pela rua. Sozinha. Apenas com um único pensamento: Tu! Ficaste, marcaste o teu lugar no meu coração sem saberes e permaneceste. Permaneces em silêncio. Caminhas devagar.
 Eu, apenas eu. Sozinha por aqui.

Chegaste. Olhas para mim. Cruzamos os olhares. É agora! Chegou a altura de saberes tudo. 
 Não! Não consigo! Cumprimentas-me e eu desisto. Estás tão perto. Não tenho coragem. Aquele medo. Aquela ânsia de querer e perder. Desisto de novo. Vou embora. Não consigo olhar para trás. Porque sei que estás lá. Tão perto mas tão distante.  
 Não me vejas a chorar.
 Cada lágrima. Cada pensamento. Cada imagem. Tu lá atrás.
 Continuas a caminhar. Porque estou a fugir? Fugir de um sentimento que sei que existe.
 Dou meia volta. Não desistes de mim.

 Volto-me na tua direcção. Sou eu. És tu. Talvez um dia seremos nós…

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por Sonhadora e colocado em Romance | 1 Comentário

2 Novembro 2008

Gostar (:

O simples gostar de alguém leva-nos a lugares que nunca pensamos algum dia chegar. É estar sentado numa cadeira, a olhar o céu, à espera que a lua volte, é um bater de coração intenso, é ir em frente sem qualquer tipo de limites, é abraçar até não poder mais, é sonhar, mesmo sabendo que os nossos sonhos não se poderão tornar realidade. A mim, um simples gostar já me levou a caminhos e sensações menos boas, mas nem por isso eu desisti, nem por isso eu pensei que acabou ali, sempre continuei o meu caminho, sempre continuei a sonhar com um amanha melhor. Gosto das cores, gosto da felicidade, gosto do arco-íris e das estrelas, e são eles que à sua maneira me dão força para continuar amanha.

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por JoanaFilipa e colocado em Romance | 0 Comentários

21 Outubro 2008

…palavras…

Mais do que ficar à espera que me escrevas, ou que me repreendas com os teus intermináveis silêncios, procuro palavras, para me ligar a ti. Não sei ficar simplesmente desligada de nós e, onde quer que eu pare os meus olhos, há sempre algo, de nós, por toda a parte.
Posso passar um dia inteiro e apenas proferir o indispensável e, viver como muda durante muitos outros dias, pois ninguém mais deverá saber como tu arrancar-me as palavras. Porque aos outros tenho que falar, pra me ouvirem, mas a ti sei que não, sei que tens o coração fora do peito neste preciso momento em que tas digo, em que te escrevo, porque ambos sabemos que meio coração que temos, é do outro.
Sei que estás enclausurado neste silencio manso, tal como eu.
Sei também que te magoo com as palavras, e tu sabes que nada podemos fazer, nem eu nem tu, para o impedir.
Porque as palavras que te digo, rasgam-me o pensamento. Saem de mim, tantas vezes abruptamente, sem querer, que até me assustam, nesta surdez que interrompem sem pedir licença. Assaltam-me, como que gritam dentro de mim, e escrevo-tas, onde nunca as lês, onde não basta, onde não vens, onde não estás… Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por malu e colocado em Romance | 0 Comentários

31 Julho 2008

Sua imagem

Faz nasceste a cada manhã, no horizonte de ninguém, e se por no coração de alguém…
Alguém que não sabes de onde veio e nem de onde vai…
No submundo da inexistência que lhe trouxe fazendo me levar à um nada que formulou o tudo….
Fazendo velejar nesse sonho inoportuno, onde meus dedos elevam os céus e o inferno, sem saber os olhos que o perseguem, sem saber os olhos que o amam….
Do beijo que era de amor se dilatou em uma aquarela de sentimentos sem fim…
Fazendo desse quadro uniforme, um abstrato se tornar, onde eu não sou o pintor nem a pintura, apenas o rascunho de um nada que fui e um nada que me tornei…

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por markinhos e colocado em Poesia, Poesia Gótica, Romance | 0 Comentários

17 Julho 2008

Você é o meu mundo

Te amei quando era sol, entre o brilho do dia perto de você pude ficar.

Te amei quando era lua e junto das estrelas pude te admirar.

Te amei quando era terra e todos foram a te pisar, mesmo assim eu estava ali para te abraçar.

Te amei quando era o mar, perto da sua imensidão, perceber que meu amor não era nada apenas um peixinho a nadar.

E hoje só restou o amor de uma lágrima a rolar…

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por markinhos e colocado em Poesia, Romance | 0 Comentários

29 Dezembro 2007

Voltei a mim

quanto quis e amei esse momento
ser um rio a caminhar para o mar

sou eu mesma, nas manhãs apressadas, nas noites frias
sou mais do que o desejo que quiseste, mais do que uma cabeça a rolar
e do que as minhas conhecidas histórias
onde queres uma mulher, onde queres uma amiga, uma louca, sou eu ali
a pedir-te que fiques para me revelar

querer ser essa pessoa: fizeste-me
buscaste ternura, fui heroína
quiseste saltos, fui campeã
conquistaste um coração aberto, escancarei-o
acertaste-me, atingiste-me
fechei-o
Ler todo texto »

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 5.0/5 (1 vote cast)

Publicado por Pena Branca e colocado em Poesia, Romance | 0 Comentários

3 Maio 2007

Firmino

Era o burburinho de quando algo de grave acontecia. As vozes chegavam ao início da rua trazidas pelo vento. Os bêbados desinteressados da taberna amontoavam-se a um canto num tom grave e sigiloso. À pergunta do que se passara ninguém ousou responder. Mais à frente ouvi credos, comentários de indignação e ouvi choros que vinham de dentro da casa. Tentei aproximar-me um pouco mais. A multidão era densa. Continuavam a chegar pessoas e as que estavam não arredavam pé. Era grave.
Uma porta e uma janela apenas, habitavam-nas uma velhota bolorenta e o filho, um sujeito fuinhas que passava as madrugadas a agachar-se das granadas, saía para a rua em pijama a somar pretos na ponta da baioneta, o sujeito enfermiço a quem meio litro de vinho embebedava por três dias. Meio litro de vinho e os pretos de volta.
O vinho assegurava que os pides o arrastaram pela rua fora, lhe mediram a tensão, lhe experimentaram o sangue e concluiram.
-Apto!
A junta médica mediu-lhe a tensão, experimentou-lhe o fígado e não teve Duvidas.
-Doze contos e quinhentos chega-lhe muito bem! É tudo para vinho!
A rua tomara já aquele tom desbotado de um entardecer de Outono e a noite ameaçava baixar sobre a multidão, quando por fim chegou a polícia, que rompeu por entre os inúmeros curiosos. Com a chegada da guarda, os familiares e amigos da desgraça perderam o controlo da porta e surgiu a oportunidade de também eu, aceso de curiosidade, chegar à entrada para espreitar, até um polícia barrigudo dar comigo.
- Fora daqui catraio.
Era uma casa humilde como todas as casas do bairro. Por trás daquela porta, um corredor com uma entrada logo à direita que dava para uma divisão pequena, onde eu por baixo do braço de alguém, ainda lhe vi os pés pendurados e os chinelos desordenados no chão. Ninguém se atrevera a tocar no morto até então.
- Foi o Firmino.
Nessa noite sonhei com o tipo enfermiço. Até aí nunca vira um defunto e o que me ficou foram uns pés pendurados, com umas meias brancas sem elástico a cair-lhe nos calcanhares e uns chinelos de quarto, desordenados no chão. Tentava imaginar o que não conseguira ver, a corda presa na viga, o vergão no pescoço, os braços caídos ao longo do corpo, o mistério das calças molhadas, porque dizia o Nelson que os enforcados se urinam quando a corda… Sonhei que chegava a tempo de lhe falar e lhe perguntava porquê e ele nada dizia, olhava-me com aquela cara de quando contava os pretos na ponta da baioneta, como se não soubesse se havia de subir para a corda ou se me pendurava a mim, e que optara por mim, de repente eu a olhar para baixo e ver os meus pés pendurados com umas meias brancas com o elástico frouxo a escaparem-me dos pés, ouvir os rumores lá fora, as pessoas a chorar, a minha mãe a chorar, os meus irmãos a chorar, o meu pai a chorar.
- Dei-me conta de que nunca vira o meu pai chorar –
“os homem não choram” – aquela imagem emocionou-me e senti uma culpa que me causava dor, uma dor irreparável, assistia à minha partida sem poder fazer nada, sem poder voltar a trás, sair da corda e dizer: mãe, não chore! Eu não morri, não vou para a escuridão da sala de velório, onde os vizinhos espantados se perguntariam sobre as causas, a não compreenderem, pois; – Afinal, um miúdo! Um miúdo, meu deus! – A consternação na escola, os meus colegas excitadíssimos no átrio da igreja, um caixão branco como quando foi do Paulo, centenas de flores que adocicavam o ar e se misturavam com o cheiro das velas ao queimar, o pavio a extinguir-se como se de uma contagem final se tratasse e eu a extinguir-me com ele, o cheiro das velas é o meu cheiro ao esgotar-me; primeiro a cabeça, depois o peito, impotente para o sopro da salvação, juntava os lábios e nada, continuava a derreter para o chão numa metamorfose humana que me transformaria em ar quente e num montinho de cera derrotado.
O Firmino de súbito derrotado. Não uma corda cobarde, asseguro, mas os pretos, ou os pides, que o arrastarm para áfrica e o empurraram para o mato como os médicos da Caixa o empurraram para a corda…

(to be continued)

VN:F [1.8.1_1037]
Rating: 0.0/5 (0 votes cast)

Publicado por Mik e colocado em Romance | 3 Comentários